No dia 4 de setembro, em São Paulo, será a vez da cidade acolher a tocha Paralimpíca e vai ter um caminho inusitado, vai passar pelas instituições que reabilitam as pessoas com deficiência, ainda uma praça da avenida Paulista. O caminho poderia ser comum para a maioria das pessoas, mas não é bem assim para alguns movimentos que acusam a organização da Paralimpíadas Rio-2016, de alimentar a imagem de que as pessoas com deficiência, vivem em guetos.

Isso gerou alguns protestos como do Comitê Paralímpíco Brasileiro e a Secretaria dos Direitos das Pessoas com Deficiência do Estado de São Paulo, que mandou uma carta ao Organizadores do Evento que contém muitas críticas do caminho da tocha.

Uma delas é que esse caminho não representa em nenhum momento a representação das pessoas com deficiência do país inteiro, sempre enfatizando em instituições que só reabilitam as pessoas com deficiência, como no caso a Apae, a AACD e a Fundação Dorina Nowill para cegos.

Antes de chegar à capital paulista, a tocha paralimpíca passará por mais quatro Estados, como: PA, RN, SC e RJ. A maratona começa hoje, quinta-feira (1), e passará nas capitais dos Estados. Na capital, contará além das instituições, vários participantes e o transporte especial ATENDE que infelizmente, deixará de prestar serviço a outros movimentos.

Ainda a crítica traz uma explicação bastante sólida para muitas pessoas com deficiência, que sempre se tem que fortalecer a ideia de inclusão e que contrapõe sempre com o conceito de instituição.

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Porque há um revezamento dessas instituições de atendimento no intuito de ideia de dependência, sendo assim, fará mais uma vez, o trabalho de alimentação do conceito da imagem assistencialista a 9 milhões de paulistanos com deficiência.

Ainda o documento diz que há uma certa importância dentro do trabalho dessas instituições, mas esse mesmo valor será evidenciado se essas mesmas instituições serem convidadas e se juntar com as demais pessoas. Porque parecerá, que elas serão as anfitriãs do evento. A carta é assinada pela Secretaria dos Direitos da Pessoas com Deficiência, Linamara Battistela e o presidente do CPB (Comitê Paralímpíco Brasileiro), Andrew Parsons.

Não só a Secretaria e o Comitê foram contrários ao trajeto escolhido, vários movimentos que lutam pelas pessoas com deficiência, estão contra o mesmo trajeto. O líder maior de um dos movimentos mais atuantes em prol as pessoas com deficiência, Movimento Superação, William Coelho, disse que é uma medida não democrática. Complementa, que a definição do caminho nessas instituições de assistência vai sim, enfatizar a imagem já muito antiga estereotipada, de que as pessoas com deficiência só poderão existir se for nesse tipo de guetos, que por séculos, motivaram a exclusão da sociedade.

Além do líder da Superação, a crítica conta com a pesquisadora da diversidade, Marta Gil, que disse que o símbolo da tocha é o símbolo da luz, pois, o fogo é a luz e o avanço dês da nossa pré-história. Que deveria passar por todos os lugares, tendo que sair dos muros que sempre motivaram as pessoas com deficiência serem isoladas.

A Organização da Paralimpíada Rio-2016 em nota da sua assessoria de imprensa, disse que aceitam sugestões do caminho e que vão analisar o melhor trajeto para a capital paulista.