Quando se fala, hoje em dia, em Bangu, o que se vem à cabeça é o complexo presidional do Bangu que, entre seus milhares de presos, tem o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, e sua mulher. Há meio século, além do bairro, o nome Bangu evocava um excelente time de futebol comandado pelo bicheiro Castor de Andrade que não poupava grana para ter bons jogadores. Ao longo da história o Bangu teve grandes jogadores, como Zizinho, e revelou Domingos da Guia que, além do imenso futebol, deixou como legado também seu filho, Ademir da Guia, o Divino.

Em 1966 o Bangu tinha um ótimo time de futebol, dirigido pelo técnico argentino Alfredo Gonzales; o Flamengo tinha um time bom, quase tão bom quanto o adversário. No Flamengo se destacavam o os meios campistas Carlinhos e Nelsinho, o centroavante Silva e o também atacante endiabrado Almir, o Almir Pernambuquinho.

Lotado

No Bangu, havia o bom goleiro Ubirajara, o lateral direito Fidelis, os meio campistas Jaime e Ocimar, e todo o ataque: Paulo Borges, Ladeira, Cabralzinho e Aladim.

O Maracanã estava tomado por 143.978 torcedores, naquele domingo, 18 de dezembro de 1966. Era jogo decisivo e o indomável Almir Pernambuquinho avisou na véspera:

- Só vai ter volta olímpica se for do Flamengo.

Mas o futebol do Bangu era de Campeão. E aos 24 minutos, Ocimar, cobrando falta, faz Bangu 1 a 0. Três minutos depois o ponta Aladim faz 2 a 0.

Nova ameaça

Na saída para o intervalo, Almir voltou a ameaçar:

- Eles não vão dar volta olímpica.

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Flamengo

Mas a goleada estava se anunciando: aos três minutos do segundo tempo Paulo Borges faz 3 a 0. A partida foi ficando cada vez mais nervosa. Aos 26 minutos, Ladeira discute com o lateral esquerdo Paulo Henrique, do Flamengo. Alguns jogadores correm para o tradicional empurra-empurra, quando Almir surge no meio do grupo e começa a distribuir pancadas.

O alvo principal dele foi Ladeira, que disparou numa corrida pelo gramado, perseguido belo baixinho e violento Almir, que conseguiu alcançá-lo e derrubá-lo.

Já caído o jogador do Bangu ainda levou um chute na cabeça. Foi um quebra pau generalizado. O mais difícil de ser contido era o bravo Almir.

Depois de uns 20 minutos de briga o juiz Airton Vieira de Morais, que tinha o apelido de Sansão, expulsou cinco jogadores do Flamengo e quatro do Bangu. Em seguida, encerrou o jogo. Bangu campeão.

Nunca antes, nem depois, se viu briga tão feia no Maracanã. Almir Pernambuquinho escreveu um livro biográfico, “Eu e o futebol”, onde afirmou que o goleiro Valdomiro, do Flamengo, e o juiz estavam comprados pelo bicheiro Castor de Andrade.

Afirmação que não foi levada muito a sério.

Sete anos após a pancadaria, no dia 6 de fevereiro de 1973, Almir se envolveu numa briga na porta de um bar no Rio de Janeiro e foi assassinado.

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