Tricampeão olímpico, José Roberto Guimarães atingiu o ápice da carreira de treinador de Vôlei, mas decidiu dar uma virada na vida e começar praticamente do zero. Em Barueri, na Grande São Paulo, perto da família e dos amigos, o técnico da seleção brasileira partiu para um projeto que mescla o trabalho de formação de jogadoras a um plano mais ambicioso, de tornar a cidade referência na modalidade.

Tudo começou após a participação decepcionante do vôlei feminino do Brasil nas Olimpíadas do Rio. O técnico recebeu propostas tentadoras de outras seleções e de clubes tradicionais, mas recusou todas.

Em outubro do ano passado, já com a ideia na cabeça, mas sem patrocínio, o treinador chegou a investir dinheiro próprio no projeto em Barueri. Atraídas pela competência e credibilidade de Zé Roberto, e de olho na disputa da Superliga principal, as jogadoras foram chegando. Nos dois primeiros meses, nenhuma delas recebeu salário, situação regularizada com o fechamento do contrato de patrocínio. Com orçamento limitado, o Barueri/Hinode não tem estrelas. A ponteira Érika, com 36 anos, forma, ao lado da também ponteira Suelle e da central Fê Isis, a base da equipe.

A comissão técnica é quase a mesma da seleção brasileira. O primeiro título, da terceira divisão nacional, veio apenas um mês após a criação do time. Agora, na Superliga B, o clube conquistou três vitórias seguidas nos primeiros jogos e lidera a competição.

Zé Roberto implantou um sistema familiar em seu projeto. Sua mulher, Alcione, administra o Centro de Treinamento, também de propriedade do treinador, enquanto as filhas organizam a carreira. A mais velha, Anna Carolina, é diretora de marketing do time.

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Vôlei

Morador há 30 anos de Barueri, Zé Roberto planeja transformar a cidade em polo de excelência do vôlei, a exemplo da “rival” e vizinha Osasco, que mantém a equipe profissional do Vôlei Nestlé e a do ADC Bradesco, referência na estrutura das jogadoras da base.

O projeto do treinador vai mais longe: manter uma estrutura de base e de adulto no mesmo clube. O motivo transparece na avaliação do momento atual do vôlei brasileiro: “Acho que o que está mais difícil é encontrar talentos.” Embora sem uma estrutura formal, 13 jovens já treinam no CT e uma recente peneira selecionou 60 atletas.

O início do trabalho de formação das jogadoras, no entanto, ainda depende de um projeto de lei de incentivo no âmbito estadual.

A população de Barueri já mostrou apoio ao novo time. Na estreia, o público no ginásio José Corrêa chegou a 3,7 mil pessoas. Tranquilo, o técnico manda um recado aos torcedores: “É muito importante conseguirmos que a cidade abrace o vôlei como a população de Osasco abraçou. Que tenha orgulho do time’’, diz.

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