O roteiro seguiu a tradição da maioria das finais do futebol: jogo truncado, estudado, nervoso e com poucas chances de gol. #Cruzeiro e #Flamengo não travaram um confronto brilhante e vistoso tecnicamente, mas se igualaram e voltaram a empatar nesta quarta-feira, no Mineirão, dessa vez em 0x0. Como o jogo de ida no Maracanã havia sido 1x1, e não havia saldo qualificado na final, o título da #Copa do Brasil foi decidido nas penalidades máximas.

Amparado por uma multidão azul que lotou o Mineirão, o Cruzeiro se mostrou mais frio e decisivo na hora das cobranças e não teve muitas dificuldades para converter os pênaltis. Mais uma vez, o goleiro do Flamengo, Alex Muralha, acabou bastante questionado pela maneira como se portou em cada cobrança.

Ele escolheu cair para o mesmo lado, o direito, em todas as cobranças, e não pegou nenhuma - acertou o lado apenas na batida de Diogo Barbosa, que acertou o ângulo.

No que diz respeito aos batedores, o Flamengo vinha mantendo o 100% até a chegada do craque do time na marca da cal. Diego, uma das grandes contratações da história recente do clube, decepcionou e bateu nas mãos de Fábio. Foi a única defesa do goleiro cruzeirense na série, mas foi suficiente para ajudar no título.

"Eu tenho treinado sempre ali. É a minha bola de segurança, é o canto que eu sempre bato. Procurei bater muito forte na bola, mas o Fábio foi muito feliz e fez a defesa. Eu acabei perdendo", resumiu Diego logo na saída de campo.

Mas o título do Cruzeiro não veio sem uma certa polêmica.

O meia Thiago Neves, ex-jogador do próprio Flamengo, ficou encarregado de fechar a série e bater a última cobrança a favor dos azuis. Se fizesse, acaba. E fez, mas escorregou na hora da batida e fez com que os flamenguistas reclamassem de um possível "dois toques", como se a bola tivesse raspado no pé de apoio após o chute. As reclamações foram em vão.

Treino no dia do jogo e fim do jejum do técnico

O Cruzeiro fugiu da programação habitual e resolveu treinar no dia do jogo. Segundo relato do técnico Mano Menezes e de alguns jogadores, o elenco trabalhou pênaltis na manhã desta quarta-feira justamente para ensaiar o que poderia acontecer durante a noite. E deu certo. Mano lembrou que o horário do jogo, 21h45, permitia uma programação como essa até para preencher o dia dos jogadores.

Mano, após a conquista, conseguiu saborear o gosto do fim do seu jejum pessoal de títulos. Ele, que até pela seleção brasileira passou, não vencia uma taça desde a mesma Copa do Brasil, mas em 2009, sob o comando do Corinthians do Ronaldo Fenômeno e cia.

Ele enalteceu os méritos coletivos depois do novo título.

"Quando eu voltei ao Cruzeiro prometi aos nossos torcedores que voltaríamos a brigar por títulos. Não só voltamos a brigar como de fato conquistamos. Um título importante, de Copa do Brasil, que te dá direito a uma vaga na fase de grupos da Libertadores do ano que vem", comentou o treinador vitorioso.

Dois detalhes interessantes marcam a campanha do Cruzeiro no torneio. Diferentemente do Flamengo, que entrou a partir das oitavas de final por ter jogado a Libertadores, os mineiros participaram desde a primeira fase da competição, enfrentando equipes de porte inferior como o Volta Redonda e o Murici. Além disso, a Raposa deixou pelo caminho rivais pesados e de tradição, tais como São Paulo, Palmeiras, Grêmio e o Flamengo, na final.

Com o título obtido nos pênaltis sobre o Flamengo [VIDEO], o Cruzeiro chegou à quinta conquista da Copa do Brasil - antes havia triunfado em 1993, 1996, 2000 e 2003. O time mineiro se iguala ao Grêmio como o maior campeão da história do torneio mata-mata. Ambos são pentacampeões.