Papa Massata Diack, um funcionário do esporte [VIDEO]acusado de participar de um dos maiores esquemas de corrupção dos esportes mundiais, é visto frequentemente nos hotéis de luxo no Senegal.

Antes da sua chegada, pelos fundos do lobby do Pullman Teranga, na semana passada, ele foi recebido por meia dúzia de pessoas.

Com seu habitual boubou branco, Diack, de 52 anos, instalou-se em um quarto com vista para o Oceano Atlântico. Sua irmã, Awa, carregava uma mochila preta contendo um grande arquivo de documentos que serão avaliados por Diack para sua defesa.

Quem é Diack

O filho de Lamine Diack, ex-chefe da Associação Internacional de Federações de Atletismoiaaf, está no centro das investigações sobre corrupção, que são cada vez maior e atinge os quatro continentes.

Os promotores responsáveis pelas investigações afirmam que Diack passou anos nos bastidores de uma corrupção que envolve os esportes, política e negócios. Eles afirmam que ele estava envolvido em um esquema para cobrir os testes de doping e foi o canal para a compra de votos em competições para hospedar grandes eventos esportivos, incluindo as Olimpíadas.

Milhões de dólares em pagamentos ilícitos foram transferidos através de contas controladas por Diack ou seus associados, de acordo com promotores no Brasil e na França, que em janeiro de 2016 emitiram um mandado de prisão internacional para ele.

Diack alega ser esta a maior mentira no mundo dos esportes, ele também afirma que aceita as acusações mais que estas não podem ser provadas.

Diack é envolvido com votos para o Brasil sediar as Olímpiadas 2016

Mais recentemente, as conexões com os Diacks levaram à prisão de Carlos Arthur Nuzman, chefe do Comitê Olímpico do Brasil, em meio a suspeitas de que a candidatura bem sucedida do Rio de Janeiro para o sediar os Jogos de Verão de 2016 foi financiada, sendo feito um pagamento de US $ 2 milhões ao Papa Massata Diack, que na ocasião atuava como porta-vós de seu pai.

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Esta quantia foi paga como forma de garantir votos dos outros membros africanos do Comitê Olímpico Internacional.

Durante quase três horas no Pullman Teranga, Diack descreveu ao jornal, The New York Times, todas as acusações como sendo racistas e motivadas por ciúmes, parte de uma conspiração anglo-saxônica para manchar o legado de seu pai. Ele também disse que acredita que o caso faz parte de um jogo de poder entre a Agência Mundial Antidoping e o Comitê Olímpico Internacional.

"Dizer que Lamine Diack e seu filho estavam atacando atletas, depois de 22 meses de investigação, onde estão as provas?", disse Diack.

Existem evidências contra Diack, que incluiem transferências de quantias em dinheiro e e-mails revelados por autoridades brasileiras. Porém, ele alega que essas afirmações são falsas, e que os responsáveis no Brasil haviam efetuado pagamento a título de patrocinio, para que houvesse de um evento criado pela IAAF, e que ele atuava neste momento como consultor de marketing para a organização.

Essa afirmação contrasta com as de Maria Celeste Pedrosa, secretária de Nuzman. Em um depoimento dado aos investigadores no Rio, Pedrosa disse que o dinheiro deveria pagar a construção de faixas na África e questionou por que deveria ser pago a uma conta bancária controlada por Diack, na Rússia.

Investigadores de crimes financeiros franceses rastrearam pagamentos de US $ 2 milhões de empresários brasileiros para contas bancárias controladas por Diack durante as Olimpíadas no Rio.

No mesmo dia da votação, para que o Rio sediasse as Olímpiadas, Diack transferiu cerca de US $ 300 mil para Frankie Fredericks, um ex-velocista da Namíbia que, por sua vez, era uma das três pessoas que examinavam o voto.

Segundo Diack, o pagamento a Fredericks estava relacionado a uma dívida contraída por patrocinadores de atletismo,. Segue as investigações sobre a conduta de Fredericks. Já o evento de retransmissão que supostamente empresários brasileiros contrataram nunca ocorreu.