Se no início de 2017 alguém dissesse que o Palmeiras passaria a temporada sem ganhar ao menos um titulo, seria taxado de louco ou clubista, afinal, o alviverde manteve a base campeã do nacional de 2016 e fez grandes contratações.

Agora, próximo ao fim da temporada, o Palmeiras se contenta com uma “simples” vaga direta para a fase de grupo da Libertadores, muito pouco para o investimento feito para montar um time capaz de ganhar tudo.

A grande questão é o que deu de tão errado? Todos que antes colocavam o Palmeiras como o time a ser batido, agora questionam a qualidade dos jogadores contratados e também a capacidade do então intocável diretor de futebol, Alexandre Mattos.

É nítido que o excesso de dinheiro para contratar mais atrapalhou que ajudou. O elenco que terminou a temporada de 2016 era muito bom, necessitava apenas de alguns ajustes e a contratação de algumas peças de reposição para deixá-lo mais forte, mas o que se viu foi uma gastança desenfreada, com jogadores de posições não necessárias, o que acabou inchando o elenco e trazendo problemas durante o ano.

Borja [VIDEO] e Guerra, dois dos grandes destaques do futebol sul-americano em 2016, foram contratados a peso de ouro para ser os grandes nomes do atual elenco e também para dar mostras do poderio financeiro do Palmeiras. O colombiano foi comprado por R$ 35 milhões, a maior contratação da história do clube; já o experiente Venezuelano foi trazido por R$ 10 milhões.

Pode-se dizer que a contratação do meia foi feita com mais critério.

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Moisés, o principal armados da equipe até então, sofreu uma grave lesão na temporada e o jogador foi um substituto a altura, já Borja, melhor jogador da América em 2016, foi contratado para ser o matador e substituto de Gabriel Jesus, negociado com o futebol inglês. Foi recebido nos braços da torcida no aeroporto e tratado como a grande estrela do futebol nacional. Acontece que para Borja ter espaço, o clube teve que se desfazer da sua principal contratação para o ataque até então, o paraguaio Lucas Barrios, que foi negociado com o Grêmio. Mas o que se viu não agradou os palmeirenses, que viram o ex-matador recuperar seu grande futebol no sul e o colombiano patinar na sua primeira temporada no Brasil.

Insatisfeitos com Borja, o Palmeiras foi novamente as compras e trouxe Deyverson, atacante que atuava no futebol espanhol, o investimento mais uma vez foi alto, R$ 15 milhões, e o resultado em campo foi tão decepcionante quanto o do colombiano. Não seria melhor dar mais uma oportunidade para o jogador que já estava no clube, ao invés de investir tanto dinheiro em um jovem promissor ou em um atacante com qualidade duvidosa?

Outra contratação de impacto foi #Felipe Melo, volante experiente, disputou Copa do Mundo, jogou em grandes clubes do futebol europeu e de qualidade técnica inquestionável, mas como todo esse pacote vem o lado polêmico que sempre foi seu grande problema.

Na coletiva de apresentação, Felipe já “causou” quando disse que daria tapa na cara de uruguaio se fosse preciso. Claro que se houvesse um pouco de boa vontade essa declaração não seria tão polemica, mas a relação entre Melo e a imprensa não é boa desde a fatídica desclassificação do Brasil na Copa de 2010. Isso trouxe sempre uma ressalva em relação a essa contratação, e qualquer rumor virava um furacão por conta do temperamento explosivo do jogador que entrou em rota de colisão com o ex-treinador, Cuca, que inclusive o afastou do elenco. Semanas depois, o jogador foi reintegrado, mas não foi utilizado até que o treinador fosse demitido.

Longe do impacto de outros jogadores, alguns atletas foram contratados e mal foram aproveitados durante o ano, foram os casos de Hyoran, Rafael Veiga e Antonio Carlos. Jovens promissores que foram deixados de lado por conta do excesso de jogadores trazidos para a atual temporada, e que agora são especulados como moedas de troca para a montagem do elenco de #2018.

Outro grande problema do ano foi à definição dos comandantes do time. A temporada começou com Eduardo Batista no comando da equipe, mas a falta de experiência com um elenco renomado e cheio de grandes nomes trouxe problemas para o jovem treinador, que não conseguiu trazer bons resultados e um desempenho satisfatório. A demissão era certa, mas faltava um grande nome surgir no mercado para substituí-lo. Isso aconteceu quando Cuca se colocou novamente no mercado depois de um período de descanso, o retorno do técnico campeão brasileiro era a certeza de que o time entraria nos eixos e voltaria à rota dos títulos, mas não foi o que aconteceu.

O Palmeiras não se encaixou e perdeu a principal competição da temporada, a equipe foi eliminada nos pênaltis para o Barcelona/EQU e por conta da prioridade dada a competição sul=americana, foi também eliminado da Copa do Brasil. Os maus resultados e desempenho abaixo do esperado também derrubaram Cuca do cargo, agora quem comanda a equipe na reta final de brasileiro, é o interino Alberto Valentim [VIDEO], que espera fazer um bom trabalho para ganhar enfim a chance de ser efetivado no cargo. Será?

A abundância de dinheiro do clube traz a falsa ilusão de que qualquer erro no planejamento pode ser corrigido com uma grande contratação, e não é assim que as coisas funcionam no futebol. Às vezes é necessário fazer investimentos menos impactantes em termos de mídia e fazer as chamadas “contratações pontuais”, assim evita gastar dinheiro desnecessário e tem mais chances de alcançar os objetivos na temporada.