A história do futebol brasileiro é tão fascinante que o torcedor não cansa de relembrar os tempos românticos nos quais os torcedores de outros clubes frequentavam os estádios, não exatamente quando seu clube do coração atuava. Era um prazer observar ao vivo a excelente safra de jogadores que integravam os grandes esquadrões nas décadas de 70 e 80.

Em 1981, o Brasil estava prestes a disputar a Copa da Espanha no ano seguinte, com uma Seleção que praticava um futebol carismático, que, apesar de não ter conquistado esse Mundial, conquistou fãs de todo o mundo.

Mas o futebol brasileiro não careceu de conquistas expressivas na década de 80.

1981 foi o ano em que o Flamengo sagrou-se campeão mundial derrotando o Liverpool em Tóquio. Pouco mais de um mês antes desse memorável feito, há 36 anos, no dia 8 de novembro de 1981, o Flamengo de Zico [VIDEO]devolvia ao Botafogo [VIDEO]a humilhante goleada de 6 a 0 sofrida exatamente no dia de seu aniversário, em 15 de novembro de 1972.

Zico, com 19 anos em 1972, começava a se firmar na equipe principal. Não participara da partida, porém, seu coração de torcedor sofrera com o placar adverso neste dia. nos anos seguintes, sempre que entrava em campo e via a faixa "Botafogo 6 x 0 Flamengo" lembrando a lendária goleada, o Galinho começou a ter como objetivo trabalhar para nunca mais vê-la.

Aos 7 minutos de jogo esse objetivo começava a se concretizar com o gol de Nunes numa jogada de Lico pela direita.

20 minutos depois, Zico ampliava para 2 numa tentativa em que precisou chutar duas vezes para estufar as redes alvi-negras. Aos 33 minutos, Lico aumenta para 3 após combinação de Júnior e Zico.

Com um Botafogo tenso e a goleada começando a ser arquitetada, e o Flamengo jogando com facilidade - o que era um suicídio para qualquer adversário na época - a torcida já pensava na revanche. Após o gol de Adílio aos 39 do primeiro tempo, os torcedores rubro-negros queriam "seis".

O Botafogo, que tinha um bom time, com jogadores em nível de Seleção, como o goleiro Paulo Sérgio e o meia-atacante Mendonça, começara melhor o segundo tempo e contara com a entrada de Jairzinho, o mesmo Furacão da Copa de 70, que também participara do jogo de 1972 fazendo 3 gols. E este quase acabara com o sonho da revanche em duas oportunidades. Mas o Furacão estava no final de sua carreira, já com 37 anos, e definitivamente, o dia era rubro-negro. Aos 30 minutos do segundo tempo, Zico fazia seu segundo gol na partida, batendo um pênalti.

O APOIO DA TORCIDA

O grito de apoio da imensa torcida rubro-negra não era "Mengo, Mengo". O Maracanã inteiro gritava "Queremos seis", já que, a essa altura, vários torcedores botafoguenses começavam a deixar o estádio. Não podia ser 7, nem mesmo 10 a zero. Tinha que ser seis, para devolver com exatidão aquela goleada que estava entalada nas gargantas rubro-negras por quase uma década.

E por uma engraçada ironia do destino, o jogador Andrade, que vestia a logo camisa , completava, num chute de fora da área, a vingança do garoto de Quintino que sofrera com a goleada em 1972 e sequer sonhava que seria o maior ídolo da Gávea.

Aquela equipe dos sonhos do Flamengo comemorou a vitória como se tivesse conquistado um título. Na verdade conquistava sua apaixonada torcida a cada partida, que crescia junto com a maior equipe do Flamengo em todos os tempos.

SÚMULA

Local - Maracanã

Juiz: Édson Alcântara do Amorim

Público: 69.051

Gols: 1º tempo- Nunes 7, Zico 27, Lico 33 e Adílio 40.

2º tempo - Zico (pênalti) 30 e Andrade 42.

Cartões Amarelos: Júnior e Perivaldo

Flamengo: Raul, Leandro, Figueiredo, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico.

Técnico: Paulo César Carpegiani.

Botafogo: Paulo Sérgio, Perivaldo, Gaúcho, Osvaldo e Jorge Luiz; Rocha, Mendonça e Ademir Lobo; Édson (Jairzinho), Mirandinha e Ziza.

Técnico: Paulinho de Almeida.