Ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin foi condenado nesta sexta-feira, dia 22, pelo júri popular do Tribunal Federal do Brooklyn, em Nova York, nos Estados Unidos. Marin foi considerado culpado em seis das sete acusações que recebeu após a descoberta de escândalos de corrupção na FIFA, principal entidade mundial do futebol.

Após a decisão, Marin teve sua prisão determinada de forma imediata, e foi transferido para o Metropolitan Detention Center, também no Brooklyn, onde passou sua primeira noite. Apesar de já estar detido, Marin, de 85 anos, só irá conhecer sua pena no próximo ano, em decisão a ser anunciada pela juiza Pamela K.

Chen. Condenado em seis acusações, o ex-dirigente do futebol brasileiro pode pegar até 120 anos de prisão.

Segundo informações veiculadas pela agência de notícias EFE, o júri levou seis dias para determinar a condenação de Marin. O mesmo júri também será responsável por analisar as acusações contra Manuel Burga, ex-presidente da Federação Peruana de Futebol, também envolvido nos escândalos do chamado “Fifagate”, como ficou conhecido o escândalo na entidade de futebol, em uma alusão ao caso “Watergate”, responsável pela queda do presidente americano Richard Nixon, na década de 1970.

Do luxo ao cárcere

Ex-governador de São Paulo no período da ditadura militar e ex-deputado federal também por São Paulo, José Maria Marin foi preso em maio de 2015, na Suiça, onde participava de uma reunião anual da FIFA.

Além do brasileiro, outros seis dirigentes da entidade foram detidos pelo FBI na ocasião, e ao menos 14 pessoas ligadas à federação esportiva foram indiciadas por crimes de fraude, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Levado para os Estados Unidos, Marin passou os dois últimos anos em prisão domiciliar no apartamento que possuí na Trump Tower, arranha-céu construído pelo atual presidente do país, Donald Trump, e localizado no coração de Manhattan, uma das regiões mais nobres de Nova York. Enquanto viveu no local, Marin tinha direito a quatro saídas semanais, e, segundo reportagem publicada pelo portal Globoesporte, frequentava alguns dos melhores restaurantes da região, além de ir à Igreja.

Com a decisão do júri popular, Marin foi imediatamente levado para o Metropolitan Detention Center, onde permanecerá até que a sentença seja anunciada. O local abriga mais de 1.700 detentos e é considerado um dos presídios mais violentos dos Estados Unidos. A prisão não possuí espaço para banho de sol, e os presos são obrigados a acordar às 6h da manhã e a realizar a limpeza das próprias celas.

Nascido em São Paulo, filho de Joaquín Marín y Umañes, um dos responsáveis por introduzir o pugilismo no Brasil, Marin cresceu no bairro de Santo Amaro, zona sul da capital paulista. Ainda jovem, tornou-se jogador profissional de futebol e atuou pelo São Paulo Futebol Clube, mas a carreira no Tricolor não empolgou, com apenas dois jogos oficiais e um gol marcado. Entre 1949 e 1954, atuou também em clubes do interior do Estado, como o São Bento de Marília e o Jabaquara, de Santos.

Formado em direito pela Faculdade do Largo do São Francisco, da USP, Marin iniciou sua carreira política como vereador de São Paulo pelo Partido da Representação Popular, fundado por Plínio Salgado, também conhecido por ter sido o líder do movimento ultraconservador Ação Integralista Brasileira.

Em 2012, Marin passou também a comandar o Comitê Organizador Local da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014, disputada no país. Também em 2014, Marin foi subtituído por Marco Polo Del Nero no comando da CBF. O atual mandatário do futebol brasileiro também é acusado de corrupção, e desde 2015 não pode deixar o país sob risco de também ser preso no exterior.