Um dos grandes clássicos do futebol carioca foi realizado a mais de 1.900 quilômetros do Rio de Janeiro. Cidadãos mato-grossenses, optando por um evento esportivo inédito em sua terra, provavelmente devem ter sido a maioria na Arena Pantanal [VIDEO]. Os torcedores da Ilha do Governador à Barra da Tijuca, de Niterói à Campo Grande, em sua maioria devem ter optado por assistir pela televisão um dos mais tradicionais clássicos cariocas do futebol.

Provavelmente, foi o Fla-Flu mais atípico de todos os tempos. Para quem se acostumou com os duelos de outrora de Zico x Rivellino ou Renato Gaúcho x Romário - todos eles disputados no Maracanã - pode ter achado no mínimo estranho um clássico carioca em Mato Grosso.

De qualquer forma, com o Rubro-Negro classificado para a final do Campeonato Carioca, o técnico Paulo César Carpegiani optou por uma escalação em sua maioria de jogadores reservas, mantendo o foco na Taça Libertadores da América, cuja estreia será contra o River Plate, da Argentina, na próxima quarta-feira, às 21h45, com mando de campo flamenguista.

Com o elenco da década de 1980, em sua primeira empreitada como técnico no mesmo Flamengo [VIDEO], Carpegiani escalava sempre o que havia de melhor na equipe, independente se disputasse paralelamente torneios como o Brasileirão, a Libertadores ou o próprio Carioca. Dessa vez, tendo a tranquilidade da vaga assegurada na final do Campeonato Carioca deste ano, no seu retorno ao clube, o técnico decidiu mandar a campo vários reservas, formando uma equipe desentrosada.

Segundo a opinião dos torcedores flamenguistas nas redes sociais, Carpegiani deveria ter escalado os considerados titulares. Com essa estratégia, no ano de 1981, o Flamengo só não ergueu a taça do Campeonato Brasileiro, apesar de ter chegado às quartas de final, quando foi eliminado pela ótima equipe do Botafogo, num gol antológico do meia-armador Mendonça. O título brasileiro daquele ano ficou com o Grêmio porto-alegrense.

O Flamengo dos tempos de Zico, Júnior, Adílio e Leandro adotara o sistema "pijama training", que priorizava a alimentação adequada e o descanso, sem os desgastantes treinamentos e com a concentração amenizada. Os resultados foram as conquistas do Campeonato Carioca, a Taça Libertadores da América e o cobiçado Mundial Interclubes no ano de 1981.

Pijama training é cogitado

Aproveitando-se disso, mesmo desacreditado e perdendo elementos-chave de sua equipe, o Tricolor goleou o Rubro-Negro por 4 a 0, dando uma amostra de volta por cima após o fracasso na Taça Guanabara - correspondente ao primeiro turno do Cariocão -, fazendo com que o Flamengo sofresse sua primeira derrota no ano.

Segundo o técnico Carpegiani, o gol que inaugurou o placar com apenas ‘ minuto de jogo desestabilizou a equipe, que ficou sem poder de reação. Sem grandes estrelas, mas com um técnico competente que mudou a cara da equipe em todos os setores, o Fluminense, já no primeiro tempo, definiu a partida fazendo três gols.

O atacante Marcos Júnior sacramentou a vitória, marcando seu segundo gol no clássico aos 10 minutos do segundo tempo. O público de pouco mais de 15 mil pagantes assistiu o domínio e ascensão Tricolor sobre seu arquirrival, em um Fla x Flu cuja derrota por goleada pode ter servido como lição e refresco de memória para o técnico Paulo César Carpegiani, de não menosprezar um adversário tradicional que, apesar do elenco desmembrado, busca com determinação seu lugar entre os melhores.

Ficha do jogo

Local: Arena Pantanal, Cuiabá (Mato Grosso).

Fluminense - Júlio César; Renato Chaves, Gum e Ibãnez; Gilberto, Richard (Matheus Norton), Jadson, Sornoza e Marlon; Marcos Júnior (Robinho) e Pedro (Pablo Dyego).

Técnico: Abel Braga.

Flamengo - Diego Alves; Kleber, Léo Duarte, Thuller e Trauco (Patrick); Cuéllar, Ronaldo e Rômulo (Jean Lucas); Marlos (Geuvânio), Felipe Vizeu e Vinícius Junior.

Técnico: Paulo César Carpegiani.

Gols - 1º tempo: Marcos Júnior (1 minuto), Pedro (17 minutos), e Gilberto (42 minutos); 2º tempo: Marcos Júnior (10 minutos).

Cartões amarelos - Fluminense: Marcos Júnior, Ibãnez e Richard (Fluminense); Flamengo: Léo Duarte e Rômulo.

Cartão vermelho - Gustavo Cuéllar (Flamengo).

Juiz - Maurício Machado Coelho.