Nesta terça-feira (7), começa a oitava rodada do returno da Superliga feminina de vôlei. O Vôlei Bauru, equipe de Tifanny abreu, encara o Sesc no Ginásio Neusa Galetti, em Marília. O jogo acontece às 19h30 (horário de Brasília).

A torcida do Bauru está empolgada com a presença da atleta transexual em quadra, enquanto os adversários se preocupam com a força da atacante bauruense que nasceu como Rodrigo Pereira de Abreu [VIDEO].

Nos últimos dias, foi divulgado que as equipes da Superliga pressionam a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) para vetar a participação de Tifanny entre as mulheres.

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E o time contrário à atacante ganhou até o apoio do médico que liberou a atleta para atuar na competição.

Médico é contra a presença de Tifanny

Exames de sangue que medem o nível de testosterona (hormônio masculino) no organismo de Tifanny [VIDEO], mostraram que a atleta está dentro do permitido.

Foram mostrados 10 nanomols deste hormônio por litro de sangue.

Para muitos, estes exames comprovam que Tifanny está apta para jogar entre as mulheres, embora tenha nascido Rodrigo Pereira de Abreu. Para outros, porém, isso não significa muita coisa.

A opinião contrária ganha peso quando o próprio médico que liberou Tifanny para atuar na Superliga feminina, João Granjeiro, coordenador da Comissão Nacional Médica (Conamev).

Para o médico, Tifanny "nasceu homem e construiu seu corpo, articulações, ossos e músculos com testosterona alta". Segundo Granjeiro, nenhuma mulher, a não ser aquelas que tenham usado testosterona, conseguiriam formar o mesmo corpo de Tifanny.

As imagens da jogadora cortando a bola sobre as adversárias revelam o poder de seus músculos. Em seu Instagram oficial também é possível ver a sua capacidade muscular elevada.

Por que liberou?

Se o médico que liberou Tifanny, é contra a presença da jogadora, por que ele liberou? A pergunta é simples de ser respondida. João Granjeiro seguiu as orientações do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Para que a liberação seja feita, é necessário que seja apresentado documentação jurídica (identidade ou passaporte com nome e foto de mulher) e documentação médica (exame dos últimos 12 meses com nível de testosterona abaixo de 10nmol/L ou 288 ng/dL). Tifanny tinha tudo isso.

Mas esses pré-requisitos devem mudar, porque, no final das contas, não dizem muita coisa sobre a vantagem de alguém que construiu o seu corpo com testosterona elevada, como disse o médico.

As mudanças devem acontecer depois dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang, na Coreia do Sul, neste mês de fevereiro.