Em termos gerais, é possível dizer que o futebol permanece sendo a maior paixão dos brasileiros, movimentando uma incrível indústria esportiva e cultural que ultrapassa as barreiras sociais, econômicas e políticas tão em voga no país. Ao mesmo tempo, também é possível notar que a tendência de profissionalização cada vez maior do esporte observadas em campeonatos e ligas ao redor do mundo não tem sido acompanhada no Brasil.

Uma reportagem publicada pelo jornal Lance! na última quarta-feira, dia 28, mostra que em nove anos o Brasil perdeu 8% de suas equipes profissionais. A publicação apresenta dados como o número de clubes registrados na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em 2009, quando 783 equipes profissionais existiam, e os compara com o número de hoje, com 722 equipes profissionais existentes.

A queda de mais de 60 clubes em menos de dez anos mostra que, no Brasil, o Futebol profissional ainda permanece sendo um ativo reservado a uma pequena quantidade de clubes grandes e médios que mantém estrutura e calendário para funcionar durante todo o ano, enquanto 90% das equipes só disputam partidas durante quatro meses do ano.

A reportagem do jornal esportivo mostrou que um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou que, caso todos – ou a maior parte – dos clubes filiados à CBF atuasse durante todo o ano, o esporte renderia 25 mil novos e mais de R$ 600 milhões no Produto Interno Bruno (PIB) brasileiro, representando um considerável aporte para a economia nacional.

O levantamento também mostra que, para 90% dos clubes brasileiros, a média de quatro meses de calendário anual representa apenas 19 partidas disputadas.

Em comparação, clubes da primeira e segunda divisão do campeonato nacional atuam em 38 partidas somente na competição nacional, mais os jogos em campeonatos estaduais, regionais e taças, como a Copa do Brasil e, no caso de clubes que representam o Brasil junto às competições continentes, a Copa Libertadores e a Sul-americana.

Além da primeira e da segunda divisão, o calendário oficial da CBF também conta com as séries C e D, equivalentes à terceira e quarta divisão nacionais. Somando os quatro certames, o total de clubes que tem um calendário que se estende pela maior parte do ano é de 128 clubes. O número é muito abaixo de países europeus como a Inglaterra, onde sete mil clubes atuam em 22 divisões; a Alemanha, onde 3,4 mil times também se dividem em sete divisões; ou a Espanha, que conta com 3,2 mil times em nove divisões.

A desigualdade observada no calendário se traduz também em outros aspectos como no número de torcedores, na renda por patrocínios ou cotas de televisão e, consequentemente, no salário de jogadores e funcionários de clubes.

Além destes fatores, especialistas observam que os clubes brasileiros considerados grandes também enfrentam a concorrência dos times da Europa, onde as maiores estrelas do futebol mundial, incluindo muitos brasileiros, atuam, angariando assim torcedores ao redor do globo.

Um levantamento feito pela consultoria financeira britânica Delloit em janeiro deste ano mostrou que o Manchester United é atualmente o clube mais rico do mundo, com faturamento de R$ 2,65 bilhões por temporada. Em segundo lugar está o Real Madrid, com faturamento anual de R$ 2,646 bilhões, seguido pelo rival Barcelona, com R$ 2,544 bilhões.

O número é consideravelmente superior à renda dos maiores e mais lucrativos times brasileiros. Como exemplo, a também britânica Ernst & Young mostra que os dois clubes brasileiros que mais faturaram em 2017 foram o Flamengo, com R$ 633 milhões; e o Palmeiras, com 531 milhões.