Desconhecida por boa parte dos brasileiros, a baiana Valdenice Conceição se apaixonou pela canoagem em 2003. Sua inspiração veio do irmão, Vílson Conceição, que conquistou algumas medalhas nos Jogos do Pan de 2007.

Sua trajetória foi sempre bem-sucedida por onde competiu, com vitórias seguidas no campeonato baiano, na Copa do Mundo de Canoagem em 2016 e outros pódios conquistados em torneios mundiais e sul-americanos.

No entanto, seu cotidiano não é nada fácil e a vida de esportista fica, por vezes, ameaçada porque não há patrocínio oficial.

Valdenice garante seu sustento na canoagem por meio de vaquinhas e depende da solidariedade das pessoas.

Esse sacrifício é tirado de foco quando ela pensa em disputar os Jogos Olímpicos de 2020 no Japão.

Maternidade e competição

Ela conta que tem dois filhos e não é raro que pare os treinamentos para ajudá-los. Também convive com a precariedade de condições ideais quando compete em torneios [VIDEO]. Muitas vezes não tem o que comer nessas ocasiões.

Reconhece que se surpreendeu quando houve a inclusão da canoagem feminina no calendário de disputas das próximas Olimpíadas. Assimilou isso de forma positiva, após muitos apelos feitos por canoístas femininos ao redor do mundo. Ela também lutou por isso.

Mas, antes de chegar ao Japão, ela precisa competir no Mundial da Hungria em 2019, prova qualificatória para Tóquio 2020. Se ela conseguir uma boa posição, acredita que irá obter apoio do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

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Frisa em seguida que o apoio à canoagem masculina é bem maior, uma vez que os resultados apresentados por seu conterrâneo, Izaquias Queiroz, trouxe mais visibilidade ao esporte [VIDEO], desde que o Brasil conquistou várias medalhas na Rio 2016.

Natural da cidade de Itacaré, Valdenice treina com a perseverança e com coração: não tem treinador e nem equipamentos adequados.

Sozinha

A canoísta tem potencial, entretanto, até o momento, ninguém se dispôs a patrociná-la. Não conta com apoio do governo estadual e admite que a falta de um patrocinador é um ponto negativo na carreira que deseja brilhar.

Ela observa que o apoio à canoagem feminina está começando a aparecer nas categorias de base. Isso é bom para os que estão vindo depois dela. Preocupa-se com a falta de investimento para os atletas mais experientes, de alto rendimento, como é o seu próprio caso.

Mesmo não sendo a melhor solução, Valdenice calca seu sonho solitário com as vaquinhas para se sustentar na canoagem ou para poder sustentar os filhos. Desistir? Nunca, pois ela pensa que a dificuldade é o combustível para a sua motivação interior. Alguém aí se habilita?