Quem acompanhou a Fórmula 1 entre a década de 80 e início dos anos 90 se acostumou a ver pilotos brasileiros a enfileirar vitórias e títulos. No auge dos brasileiros na categoria máxima do automobilismo mundial, o torcedor viu o Brasil conquistar quatro títulos e cinco campeonatos disputados: em 1987 com Nelson Piquet e 1988, 1990 e 1991 com Ayrton Senna. Além disso, os tricampeões ainda fizeram o país subir no posto mais alto do pódio em sete corridas consecutivas (três com Piquet e quatro com Senna) entre o final da temporada de 1990 e começo da de 1991.

Esse torcedor dificilmente imaginaria que quase três décadas depois, a Fórmula 1 não contaria mais com piloto brasileiro e a última vitória de um deles na categoria iria atravessar um jejum que está prestes a completar nove anos e não tem nem previsão de acabar.

No dia 13 de setembro de 2009 o brasileiro acordou para assistir a mais um corrida de Fórmula 1, talvez sem saber que estava prestes a acompanhar a última vitória brasileira na categoria até então.

Com Felipe Massa afastado das pistas por conta de ter sido atingido por uma mola, que se soltou do carro de Rubens Barrichello, caberia exatamente neste piloto, que outrora teve a ousadia de se colocar como sucessor de Ayrton Senna, a esperança de se ouvir novamente o tema da vitória.

A corrida

Pilotando uma surpreendente Brawn, equipe criada às pressas usando o espolio da Honda, que no final do ano anterior havia deixando a categoria, Barrichello havia feito apenas o quinto tempo na classificação.

Logo na largada, o inglês Lewis Hamilton, pole da corrida, manteve sua posição, seguido de Kimi Raikkonen, da Ferrari, que ganhou a segunda posição de Adrian Sutil, da Force Índia. Já o brasileiro superou a McLaren de Heikki Kovalainen, que também acabou ultrapassando por Jason Button, companheiro de Barrichello. O australiano Mark Webber, da Red Bull, foi tocado por Robert Kubica e foi parar na caixa de brita.

O polonês também deixaria a corrida algumas voltas depois, com vazamento de óleo.

Apesar de verem Hamilton abrirem vantagem na frente, os pilotos da Brawn não tinham razão para se preocuparem, uma vez que haviam adotado a estratégia de fazer apenas uma troca de pneus, contra duas de seus principais concorrentes e ainda tiveram a sorte de os pneus do piloto da McLaren terem apresentado alto desgaste, o que fez o inglês antecipar sua parada e voltar na quinta colocação.

Raikkonen e Sutil também pararam nas voltas seguintes, abrindo espaço para os Barrichello e Button assumirem as primeiras posições.

Button foi o primeiro entre eles a parar, na volta 29, enquanto que o brasileiro fez seu pit no giro seguinte e, contando com um trabalho mais rápido da equipe, voltou na frente do companheiro. Depois foi só esperar os adversários fazerem suas novas paradas para assumir definitivamente e rumar para a que seria sua última vitória na Fórmula 1 e a de número 101 de um piloto brasileiro.

Aquela também foi a última vitória da Brawn, que ainda viria a conquistar o titulo de pilotos com Button no Brasil. No final daquele mesmo ano a equipe foi comprada pela Mercedes.

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo