A notícia do incêndio no CT do Flamengo, em Vargem Grande, zona oeste do Rio de Janeiro, causou comoção nacional e teve repercussão internacional, nesta sexta-feira (8). O fogo que destruiu alojamentos do Ninho do Urubu poderia não ter acontecido se o clube tivesse seguido a recomendação da prefeitura.

A administração municipal permitia que a área onde ocorreu o incêndio que causou dez mortes e deixou três feridos fosse usada apenas como estacionamento. A informação foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo.

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O Flamengo ainda não se manifestou sobre o assunto. Ao construir os alojamentos no local, o Fla desrespeitou norma da prefeitura. A administração local divulgou nota em que afirma que a atual licença do CT do Flamengo, conhecido como Ninho do Urubu, vence no dia 8 de março deste ano, daqui a um mês.

A prefeitura informou que a área atingida pelo fogo não consta do último projeto aprovado pela área de licenciamento, que aconteceu no dia 5 de abril do ano passado. Portanto, não poderia ser edificada.

O projeto protocolado mostra que a área onde ficavam os alojamentos tinha sido liberada como estacionamento.

Segundo a prefeitura, não havia outro registro de solicitação de licenciamento para utilizar a área como dormitório.

O órgão também informou que vai abrir um processo de investigação para apurar as responsabilidades sobre o caso. Será necessário saber quem ordenou a construção de alojamentos no local.

Incêndio mata dez pessoas

O incêndio no CT do Flamengo começou por volta das 5h. Às 5h15, o Corpo de Bombeiros foi acionado.

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O fogo atingia a área mais velha do centro de treinamento de Vargem Grande. No local, dormiam garotos entre 14 e 17 anos de idade.

As chamas foram controladas pelos homens do Corpo de Bombeiros às 6h. Dez vítimas fatais foram identificadas. Os sobreviventes foram encaminhados ao Hospital Municipal Lourenço Jorge.

De acordo com a secretaria municipal de saúde do Rio de Janeiro, a vítima que se encontra em estado mais grave é Jonathan Cruz Ventura, de 15 anos. Ele tem entre 30% e 40% do corpo queimado e passaria por cirurgias.

As queimaduras são de terceiro grau. O jovem será transferido para o Hospital Municipal Pedro 2º, que é referência no atendimento a pessoas com esse tipo de ferimento.

De acordo com vice-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, a principal suspeita é de que o incêndio tenha começa no aparelho de ar-condicionado do alojamento.