Chegando o Halloween após umperíodo eleitoral tão tumultuado por falas assustadoras (dos candidatos nosdebates e dos eleitores nas redes sociais), pode parecer que a radicalização dasescolhas dos votantes teve base em distinções claras presentes nas propostasdos candidatos. Mas quão diferentes eram as fantasias?

Falam de uma divisão entreos grupos: financistas de um lado (PSDB), humanistas do outro (PT); ricos de umlado e pobres de outro. Mas a defesa dos grupos contrários é nítida nos debates.Temas principais (como o controle da inflação e o estímulo à economia, a manutençãodos programas sociais e combate à corrupção) não mostram distinções tão clarasentre ambos.

Alguns números pra cá, outros pra lá, ninguém foge demais: independênciaou não do Banco Central e estímulo às empresas com 11,25% de juros ao ano éconversa fiada; manter o combate à inflação e os programas sociais é algoproposto por todos; e lutar contra a corrupção é algo que qualquer político emsã consciência defende (durante as Eleições).

Se propostas principais convergem,poder-se-ia dizer que foram os pequenos detalhes da fantasia que levaram àsescolhas. Houveram temas marginais e polêmicos, como a volta da moral e dosbons costumes feita por líderes religiosos. E aqui a resposta parece simples: bastaver o apoio da candidata Marina Silva, já bradada muito antes por líderesevangélicos como Silas Malafaia,o senador Magno Malta e o Pastor Marco Feliciano, além de um grupo enorme decantores gospel.

Os evangélicos votariam desse lado, certo? Errado! Suspense àparte, a última pesquisa do Ibope (entre 24 e 25 de outubro) mostrou sua preferênciapela candidata petista.

Poder-se-ia dizer emseguida, que a motivação principal foi a divisão geográfica-financeira existente,onde regiões beneficiadas por programas de distribuição de renda apoiam um ladoe os demais o outro.

Ótimo. Só não explica a vitória do governo no Rio deJaneiro e Minas Gerais (dois dos estados mais ricos e populosos do Brasil). Nema diferença mínima do Rio Grande do Sul, que é o estado “mais ao sul” e a diferençaenorme a favor da oposição no estado do Acre, que fica no extremo norte. E o “finalda festa” para esse argumento é que, como já tratado, os principais candidatos convergemsobre os programas sociais e a economia.

Entre as poucas alternativasque sobram para levar à escolha de uma “fantasiosa” proposta ou outra, existemas de duas classes de trabalhadores. Uma delas viu estarrecida a sua perca depoder diante do famigerado programa “Mais Médicos”, e que se tornou um pesadelopara o governo, gerando “menos médicos” nas urnas. A outra classe de trabalhadores(essa sem poder ou dinheiro) percebe no candidato da oposição a chance de nuncareceber o piso do salário, que nunca recebeu. Contra esses argumentosentretanto, estão: pronunciamentos onde a representante do governo fala quecolocará “mais critérios” para entrada de médicos; e o dinheiro do Pré-Sal, comdestino garantido.

Ou seja, as propostasconvergem, como duas fantasias de monstros iguais (mas de cores diferentes).

Écomo um Déjà vu misterioso, onde aoinvés de “travessuras ou gostosuras” pede-se os votos dos eleitores. Estes, nãoentendem bem, mas compram a briga. Seria de esperar, que a radicalização vistanas redes sociais traga um dia das bruxas mais longo? Feliz Halloween...

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