Há faltas da esfera individual e do cidadão e a correção de uma não isenta a outra. São vivências e experiências bem distintas, logicamente exigindo manifestações diferentes dos vícios e virtudes que possuímos. Uma pessoa pode ser perfeita em seu âmbito de convívio familiar e ser péssima cidadã, fomentando discórdias, oprimindo os que se encontrem de alguma forma sob sua autoridade, cometendo assim os chamados crimes lesa-sociedade.

As leis falam do caráter de um povo, são expressões maiores da consciência individual.

Analisando-as podemos facilmente constatar que desde a sua origem, sua legislação exprime um caráter marcadamente materialista. O materialismo proclama o reino da ciência natural e ignora a existência da moral e da ética, restringindo o homem à concepção de animal, conceituado como agregado de matéria, sendo reconhecido como sujeito de direito do nascimento à morte.

Trava-se aí uma grande polêmica entre a LEI -> norma escrita, a moral, a ética e o direito. Dentro da concepção materialista, as ações humanas são reflexo automático da natureza animal e desconhece a liberdade humana de agir, e, se, a liberdade não existe, não existe a moral.

De uma só vez o materialismo arruína a lei moral, a ética, o direito e a ordem civil e joga a sociedade no caos (Não é como estamos vivendo?) e na descrença da Justiça, e aí o estado social materialista nos mostra um muito triste e vergonhoso espetáculo (de corrupção, fraudes, ladroagens, enganação coletiva).

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Neste estado as forças do orgulho e egoísmo frontalmente contrárias aos ideais de liberdade e igualdade (direitos divinos registrados pela maioria das legislações terrenas) têm pleno poder de expansão.

Spinoza conceituou este estado: "Os fortes são feitos para dominar os fracos ao mesmo título que os cardumes de peixes pequenos para nadar e os tubarões e peixes grandes para comer os menores." Bem, com esta mentalidade em uma sociedade, qual será o sistema legal?

H. Thiercelin responde assim: No máximo há um conjunto de regras que terá por base o interesse e, ainda, como não há outras leis senão as materiais, esta legislação não terá caráter obrigatório, cada um pode infringi-la se sua matéria pensante (consciência) o aconselha e sua força o permite. H.T 1825 (atual não é?....).

Leis que defendem os interesses pessoais de alguns grupos ou classes e fecham os olhos ao interesse social refletem o reino do egoísmo.

E onde se dizia, "Um por todos e todos por um", passa-se a dizer cada um por si ou salve-se quem puder, acabando com o contexto social de fraternidade que nos irmana uns aos outros. Onde falta a fraternidade, não há como falar do direito de liberdade e igualdade, ainda que as leis da nação consagrem tais princípios, se no coração do povo não existe fraternidade, tais leis não passarão de meras construções gramaticais e normas sem vigência.

"Se não há o Espírito que vivifica, a letra é morta."

A liberdade legal é decorrência direta da fraternidade e da igualdade de direitos e deveres, pressupõe-se confiança mútua. O progresso do Brasil e de outros países baseia-se na fraternidade pura, que é um perfume alto, é a emanação do infinito, um átomo da inteligência Divina, é a base de todas as instituições morais e o único meio de se elevar um estado social (...)

Perdoe-me a digressão acima, entretanto julgo oportuno lembrar das responsabilidades que assumimos como cidadãos e membros da humanidade: Conscientemente contribuirmos para a construção de uma sociedade com base na conduta fraternal.



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