Já circulara pela imprensa que, em um encontro em Belo Horizonte, nesta sexta-feira, Lula pediria que Dilma demitisse Graça Foster da presidência da estatal. Não chegou a tanto: está decidido. E ocorrerá em março próximo. A decisão está relacionada à irritação da presidente diante da divulgação do balanço, não auditado, da empresa. Nele era apontado o rombo de R$ 88 milhões em razão de perdas da estatal.

Por que Graça Foster na presidência?

O ingresso de Graca Foster na Petrobras deu-se em 1978, ainda como estagiária. Trabalhou com Dilma em outros cargos. Além de pessoa de confiança da presidente, era vista como pessoa que poderia administrar com austeridade, o que demonstrou ser verdade, mesmo diante de uma baixa perspectiva de crescimento. Esperava-se o crescimento da empresa em razão de sua postura administrativa e profissional.

Mas o escândalo por atos de corrupção atrapalhou isso.

A trajetória de Graça Foster

Sua posse na presidência da Petrobras deu-se em fevereiro de 2012. Depois, ocupou cargos na diretoria. Em 2003, era diretora de Gás e Energia, ano em que teve início o grande esquema de corrupção na Petrobras. Graça substituiu não só Paulo Roberto Costa como também Renato Duque, envolvidos no esquema. Ao assumir a presidência, Graça nomeou novos diretores, providência necessária.

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Mas o pior aconteceu quando Venina Velosa da Fonseca, que havia sido gerente de um dos setores, declarou que informava a presidente das irregularidades na estatal, através de e-mail e pessoalmente. Graça não deu resposta imediata como se esperava, e ainda alegou que as mensagens que recebeu não esclareciam sobre as irregularidades. Sob pressão, Graça colocou o cargo à disposição da presidente Dilma no final do ano passado.

E não foi a única vez.

Qual a verdadeira motivação da demissão?

Diante da crise, a presidente Dilma era alvo de olhares sobre sua atitude com referência à presidente da estatal e de sua diretoria. Em agosto do ano passado, em declaração, disse que não faria julgamento sobre o assunto baseado em avaliações que achava "questionáveis". Em outra ocasião, diante de jornalistas, declarou que não faria alterações na diretoria e sim, no Conselho de Administração, dizendo que não via nenhum ato desabonador da diretoria.

O motivo prende-se à divulgação do balanço com o rombo já conhecido. (R$ 88 milhões)? Ou a um desejo de mudar, influenciar a opinião pública? Mas essa mudança é pequeníssima, é nada.

E como se pretende recuperar a credibilidade da maior empresa brasileira?

Já houve tentativas nesse sentido: não permitir irregularidades, denunciar Cerveró, anunciar que o esquema de corrupção estava contido.

Em 2014, no entanto, houve pagamento de propinas, levantado por procuradores da República. Há um fantasma para ser destruído pela nova diretoria. Será? O maior problema é saber até onde vão as investigações do esquema de corrupção. Tudo apurado e punido, a credibilidade pode ser restabelecida, com um Governo realmente do povo e não de grupos.

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