Quem conhece Paris sabe: se você quer passar férias na cidade e pretende descansar, é melhor mudar de planos. A capital francesa tem seu clássico e reconhecido charme, mas é também vertiginosa. Trata-se de um lugar de abundâncias.

São milhares de turistas todos os dias, inúmeros cafés e restaurantes abarrotados, incontáveis eventos artísticos para todos os gostos e 10 milhões de habitantes de todas as religiões e etnias imagináveis que, todos os dias, disputam um lugar nos vagões de metrô para ir ao trabalho ou voltar para casa. E é aí onde também mora o charme parisiense.

Vida quase provinciana

Porém, se você já conhece os principais pontos turísticos da cidade e busca um pouco de paz, está na hora de você conhecer o 20° distrito, ao Leste da cidade. Até 1860, essa região não fazia parte de Paris. Foi só a partir dessa data que as communes (equivalente a municípios em português) de Ménimoltant, Charonne e Belleville – hoje bairros do distrito – foram anexadas à cidade.

No século XVI, sobre essa "montanha selvagem" localizada fora do muro que impunha os limites de Paris, não havia nada mais que agricultores, vinhedos e pequenas guinguettes (típicos bares dançantes franceses). A partir de 1820, a população da região passa a crescer devido à grande concentração de moradias de operários.

Já no século XX, após a região ser anexada à cidade, Belleville torna-se um importante bairro de imigrantes vindos do Leste da Europa, do Magreb e, mais tarde, da Ásia, principalmente da China.

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De rural, o 20° distrito não tem mais quase nada. Aqui, dependendo do bairro, você vai continuar a ouvir sirenes de ambulâncias, a trombar com transeuntes em grandes avenidas, a ver brotarem cafés, restaurantes e bares a cada esquina.

Mas aqui você também vai conseguir sentir como um verdadeiro parisiense vive numa vida de bairro, quase provinciana: na frente de um prédio de 3 andares, uma mulher olha para cima e grita o nome da amiga – "Daniella!".

Na outra esquina, o dono da tabacaria bate papo com um cliente e se despede com um aperto de mãos. Andamos um quarteirão e vemos duas vizinhas conversando. Andamos mais um pouco e vemos uma senhora passeando com seu cachorro.

As villas parisienses: refúgios escondidos

Em meio a esse labirinto da urbes, de repente você se vê fora dela e descobre delicados e intocáveis oásis, as chamadas villas – pequenas ruas residenciais que funcionam como um refúgio para os habitantes do bairro e, caso seja esse o seu caso, para turistas.

É certo que podemos encontrar as famosas villas em todos os distritos da cidade, mas o 20° distrito tem uma grande concentração dessas pequenas vielas verdes e floridas com cheio de mato.

A Villa du Borrégo é um bom exemplo. Nela, nem vai parecer que você está do lado da estação de metrô de uma das malhas de transporte mais antigas do mundo. Fundada em 1909, esta villa é uma ruela paralelepípedos estreita, adornada de casas com jardins floridos.

Vale a pena começar por ela. Perto da estação de metrô Gambetta, você poderá visitar a Laurence-Savart, rua de apenas 10 metros onde o fotógrafo Willy Ronis, ganhador do Grande Prêmio Nacional de Fotografia de 1979, clicou sua câmera para compor a obra Vitrier.

A rua leva o nome da filha de Pierre-Claude, um vinicultor que conseguiu abri-la. Se você quiser se sentir ainda mais no interior, não deixe de visitar o Jardin Naturel (Jardim Natural), que cobre uma área de 6.300 m2. Criado no ano de 1995, ele abriga uma vegetação nativa. Aqui, os pássaros parisienses (acredite!) serão a única coisa que seus ouvidos escutarão.

Uma outra villa imperdível é a Campagne à Paris. O nome já diz tudo – "O Campo em Paris". Aqui, você poderá ter uma ideia de como eram os loteamentos residenciais do começo do século XX. Esta pequena colina foi comprada em 1908 a preço baixo por uma Sociedade Cooperativa de Habitação. Em meio a uma exuberante vegetação, diversos arquitetos construíram 92 casas com pequenos jardins.

Fim de tarde e noite adentro

Belleville, um dos bairros do 20° distrito, é um bairro parisiense antigo que quase não conseguiu resistir à urbanização desenfreada e desorganizada. Porém, aqui se esconde a deslumbrante Villa de l’Ermitage, criada em 1857, onde se conseguiu proibir a construção de fábricas que gerassem poluição sonora, olfativa ou visual.

Hoje, nesta villa você encontrará casas baixas com jardins e, entre elas, alguns ateliers de artistas. Você pode começar a visita pela Cité Leroy (os franceses chamam as villas também de cités), acessando-a pela Rue des Pyrénées, para depois desembocar na bucólica Villa de l’Ermitage. Caso você termine o passeio entre o final da tarde e o começo da noite, você poderá voltar revigorado para a pulsante vida parisiense e descobrir a noite eclética e as bebidas a bom preço do bairro de Belleville até o amanhecer.

Informações de acesso

Rue Laurence-Savart: estação de metrô Gambetta.

Villa du Borrégo: acesso pela Rue du Borrégo, 33. Estação de metrô Saint-Fargeau.

Le Jardin Naturel: Rue de la Réunion, 120. Estação de metrô Alexandre Dumas. Consultar horários de abertura.

La Campagne à Paris: acesso pelas ruas Geo-Chavez, Paul Strauss, Irénée Blanc e Jules Siegfried. Estação de metrô Porte de Bagnolet.

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