A execução de Marco Archer CardosoMoreira aconteceu ontem às 15h31min, horário de Brasília, com a negativa dopresidente Joko Widodo ao pedido de clemência apresentado no dia antes pelogoverno brasileiro. Este era o único que poderia fazê-lo. Em função danegativa, o embaixador brasileiro na Indonésia foi convocado a voltar aBrasília para ser consultado sobre a situação. Pensava-se em retaliações contra a execução, pois isso afetara as relações entre os dois países. Mais tarde uma nota derepúdio foi entregue ao embaixador pelo Itamaraty em razão da execução e dasrecusas dos pedidos de clemência.

Aexecução de um ser humano por ter cometido um crime nos tempos modernos,quando há novos meios e modos de punição, escapa à compreensão e aceitação deparcela considerável da humanidade. No Brasil principalmente, onde a tendênciapara o perdão é ato de relaxamento de uma certa irresponsabilidade, confunde-secom a aceitação da impunidade e conveniência social e política, como se vê, porexemplo, no mensalão e no petrolão. Excesso?

A AnistiaInternacional, na defesa dos direitos humanos, declarou que a Indonésia “dá um passo em direção ao atraso”,condenando o fato de que o brasileiro Marco Archer seja o primeiro a serexecutado em outro país.

Condenando a pena de morte o porta-voz de AI disse: “Continuaremos alutar por sua extinção”. É uma busca pelas consequências a que aludimos. A diretorada Human Roghts Watch no Brasil, Maria Laura Canineu, fez censuras à negaçãodos pedidos de clemência pela Indonésia. Desejou que a ONU entrasse firme na luta pela abolição da penade morte.

Pelo presidente da Indonésia, Joko Widodo, “o problema dasdrogas é uma emergência nacional”; a lei de lá não prevê exceções paraestrangeiros.

É crime portar mais de 5gramas de droga. O ministro da Justiça,Yasonna Laoly, afirma estar “firme e forte” na luta contra as drogas. Há hoje 64 presos por drogas na Indonésia, namaioria flagrados na Ilha de Bali.

Oatual presidente está determinado no combate ao tráfico de drogas ainda maisque a pena de morte é bem aceita pelapopulação da Indonésia. Ao contrário, o presidente anterior Susilo Bambang Yudloy,perdoou alguns condenados: de facto de outubro de 2012 a março de 2013, não houvecondenados.

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