Embora tenham retomado relações diplomáticas, o embargo financeiro, econômico e comercial imposto pelos Estados Unidos a Cuba permanece válido. Porém, agora surge uma possibilidade de que seja extinto. Segundo a agência Associated Press (AP), autoridades norte-americanas teriam sinalizado que os EUA podem aceitar uma condenação ao embargo, em votação que acontecerá na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em outubro. Ainda de acordo com a AP, o presidente Barack Obama pode abster-se de votar sobre a resolução que exigirá o fim das restrições.

O embargo

Com o objetivo de prejudicar as finanças do governo cubano, o bloqueio teve início em fevereiro de 1962, quando Cuba passou a ser visto como país inimigo por ser comunista.

Duas leis, uma de 1992 e outra de 1995, oficializaram a imposição de restrições comerciais entre os dois países, mas a proibição não é total. Desde 2000 é permitida a exportação de alimentos para Cuba, desde que sejam pagos à vista e antecipadamente.

Mesmo antes de retomar as relações diplomáticas com Cuba, os EUA já enviaram àquele país mais ajuda humanitária do que todos os países da América Latina e da União Europeia.

A influência da ONU

Anunciada no final de 2014 e concretizada com a reabertura das embaixadas nos dois países em julho deste ano, a aproximação entre Cuba e Estados Unidos já é uma realidade. Desde então, Obama tem pedido ao Congresso a suspensão do embargo. A intermediação do Papa Francisco nas conversações entre os presidentes Raúl Castro e Barack Obama, estão mostrando resultados concretos.

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Em viagem inédita, o Papa, que está em Cuba, visitará também os Estados Unidos e deve influenciar na decisão. O Pontífice participará de uma Assembleia Geral da ONU em Nova York.

Embora não tenha efeitos legais, a votação na ONU possui grande peso para a comunidade internacional. Há 23 anos, Cuba pede uma resolução sobre o bloqueio. O fato de Obama não votar, aumentaria a pressão para uma decisão do Congresso americano.

Neste ano, pela 23ª vez o embargo foi pauta de Assembleia da ONU. Apenas os EUA e Israel votaram a favor da continuidade das restrições. Os outros 188 países votaram contra.

A considerar o que já foi modificado até o momento, como a permissão para que cubanos-americanos visitem seu país mais de uma vez ao ano e que o envio de dinheiro para parentes necessitados não se restrinja mais a 1.200 dólares anuais, pela primeira vez há esperança.