Um novo escândalo envolvendo quatro capacetes azuis, soldados que prestam serviços às Nações Unidas, foi divulgado pela mídia nesta terça-feira (12). Os quatro soldados são acusados de pagar por sexo com crianças de 13 anos, em um campo na República Centro-Africana. Quem divulgou a notícia foi o jornal Washington Post, que afirmou serem soldados do Gabão, França, Burundi e Marrocos.

Esse novo escândalo acontece sete meses após o responsável no país africano ter sido despedido - e não é o primeiro escândalo envolvendo funcionários das Nações Unidas.

Acontecimento é recorrente

Não é nova a acusação de que esses soldados que trabalham a serviço da ONU em vários países da África cometam tais crimes. Trata-se de violação de mulheres em situação de vulnerabilidade e crianças de ambos os sexos. A maioria das vítimas está em fugindo de crimes semelhantes cometidos por grupos extremistas, além de homícidios praticados pelos extremistas.

De acordo com apublicação, vários relatórios já foram feitos, inclusive com a identificação dos culpados.

Esses relatórios foram feitos a pedidos de organizações independentes e também, por incrível que pareça, pelas Nações Unidas - mas e por que nada é feito?

Em agosto do ano passado, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou que esses casos de violação e abusos sexuais eram como um "cancro" no sistema da organização. Ele ameoçou fazer denúncias públicas apontando os países onde Polícia e soldados estavam envolvidos nos escândalos.

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Polícia

A Anistia Internacional apresentou muitas queixas contra soldados e policias que integravam a missão, um dos casos envolvia o assassinato de um adolescente, do pai e violação de uma garota de 12 anos de idade. Esse fato fez com que Ban Ki-moon despedisse o responsável pela força das Nações Unidas na República Centro-Africana, o senegalês e ex-general Babacar Gaye. O que não resultou muito efeito, uma vez que os crimes continuaram acontecendo.

Sobre o último escândalo

O Washington Post detalha os acontecimentos: quatro soldados conhecidos como "capacetes azuis" foram acusados por terem pago uma quantia entre "50 centavos e três dólares", para conseguirem sexo com meninas de 13 anos que são exploradas por um grupo de jovens do campo de refugiados M'Poko.

Esse campo é descrito pelo secretário-geral adjunto das Nações Unidas, Anthony Banbury como "um lugar onde acontecem coisas horríveis e inaceitáveis a mulheres e crianças", e complementa dizendo que esses acontecimentos colocam em causa tudo o que a ONU representa.

Um comunicado foi emitido na semana passada pela liderança da missão da ONU na República Centro-Africana dizendo que na semana passada as vítimas receberam visitas se uma equipe da UNICEF e que as meninas receberam tratamento médico, além de uma avaliação para tratamento psicológico. Segundo o comunicado, elas também receberam roupas, sapatos e kits de higiene.

Organizações de defesa dos direitos humanos, como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional têm relatórios que indicam os envolvidos nos casos, os documentos dizem que esses sujeitos sentem que estão acima da lei e sabem que qualquer crime atribuído a eles só podem ser investigados por autoridades de seus países de origem e que por esse motivo, sabem que não serão punidos.

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