O técnico de avião da Bolívia, Erwin Tumiri, concedeu uma entrevista exclusiva a equipe do Fantástico da rede Globo de TV. As filmagens foram ao ar no último domingo, (04). De acordo com o boliviano, a empresa responsável pelo voo que culminou em uma tragédia e matou a maior parte da equipe da Chapecoense, jornalistas e outros funcionários não informou à tripulação que o avião não faria escala em outra cidade, antes de chegar a Medellín. Para Erwin, essa ‘parada’, que geralmente é feita para abastecer as aeronaves que fazem esse tipo de percurso, seria essencial para evitar problemas no restante da viagem e ela não foi feita, como também a decisão não foi compartilhada com os demais tripulantes.

“Nós como técnicos, nós fazemos um pré-voo, nós nos preocupamos com isso. Eu faço o meu trabalho e faço tudo o que me ensinaram, no avião. Eu fiz um relatório onde dizia que íamos até Cobija [cidade próxima a Medellín] e disseram: ‘tudo bem’. Mas no momento da decolagem eu perguntei novamente se íamos até Cobija e recebi a resposta: ‘não, nós vamos direto a Medellín’. Mas com vistas de que íamos até Cobija.”, diz o técnico de voo, confessando algo que realmente possa ter sido primordial para que a tragédia acontecesse.

Quando perguntado sobre se ele sabia que a autonomia de voo era praticamente a mesma com relação à distância que a nave percorreria até Medellín, Tumiri respondeu: “com relação à autonomia, essas coisas, isso é responsabilidade da Lamia. Eles me dizem qual é o combustível e eu faço esse abastecimento, então eu supus que eles soubessem o que faziam.

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Pode não ter sido uma boa ideia do piloto, de ter tomado essa decisão, ou da pessoa responsável da Lamia.

Tumiri, no final da entrevista, disse que é preciso que as pessoas que estão à frente das aeronaves precisam ter muita responsabilidade e, principalmente, devem ouvir os técnicos. “As coisas são na base do ‘é assim que tem que ser, e vai ser assim’. As coisas não podem ser tomadas de maneira individual.”, completou.

Erwin está internado em um hospital da cidade de Cochabamba, na Bolívia e explicou que precisou pegar outro avião para chegar ao seu país de origem.