A iniciativa de uma arquiteta portuguesa levou idosos às ruas para aprenderem técnicas de intervenção urbana e grafitar muros das cidades. Lara Seixo Rodrigues, 37 anos, foi a criadora do projeto que tem como objetivo mostrar que a idade é apenas um número e todos podem aprender coisas novas.

Segundo a arquiteta o resultado tem sido promissor, "existem idosos que não desenham há mais de 30 anos. Além de levar idosos mais vezes às ruas, estão os colocando em contato com o dia a dia das cidades onde vivem, fazendo com que o trabalho se torne um projeto de inclusão".

Denominado de "LATA 65", desde 2012 a criadora tem viajado para vários países disseminando o objetivo do projeto.

Para que cresça cada vez mais, Lara procura sempre apoios de orçamentos locais e, como forma de divulgação do trabalho, vende camisetas e broches por onde passa.

Cerca de 257 idosos participaram de 24 workshops ministrados em locais descontraídos, facilitando assim a inspiração para que possam criar seus grafites. Segundo a arquiteta, trazer os idosos para este Mundo é mostrar que todos podem aprender coisas novas e que o grafite é uma forma de democratização da arte pois aproxima as pessoas independentemente de idade.

A faixa etária média entre os alunos que frenquentam os workshops é de 72 anos, sendo o mais velho com 102. Para os participantes é uma forma de se integrar com a sociedade e também estar em contato com a liberdade da qual muitos idosos são privados.

O projeto chega ao Brasil

O projeto também aconteceu no Brasil e a intervenção foi realizada na cidade de São Paulo, em outubro do ano passado.

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Aqui foi incentivado pelo Serviço Social do Comércio e, de acordo com Lara, o Brasil é um grande centro cultural de arte contemporânea, sendo a "Meca" do grafite, mas que o contato dos idosos com a arte foi muito semelhante com o de Portugal.

Com receio de realizar o workshop no Brasil pelo contato diário das pessoas com a arte de rua, Lara afirma que a reação dos idosos é a mesma que em outros países, já que muitos deles não tem contato com as ruas em seu dia a dia.

Muitos idosos têm dificuldades motoras e incentivá-los a tais trabalhos melhora a sua qualidade de vida e os integram a uma sociedade em que muitas vezes são esquecidos.