Os abusos do grupo terrorista Estado Islâmico contra curdos, cristãos, xiitas, yazidis, entre outros grupos étnicos ou religiosos, são bem documentados. Incluindo execuções em massa, tortura, estupros e uso de mulheres e crianças como escravas sexuais.

Porém, a barbárie praticada pelo grupo islâmico atingiu novo patamar, segundo a ONG Human Rights Watch, que se dedica a investigar e denunciar violações dos direitos humanos. A organização afirma que os terroristas têm atacado mulheres e garotas sunitas árabes nos territórios que ainda mantêm sobre seu controle. Várias delas têm sofrido detenções arbitrárias, espancamentos, abuso sexual ou casamentos forçados.

Pesquisadores ligados à entidade dedicada à defesa da dignidade humana entrevistaram seis mulheres que conseguiram escapar da cidade de Hawija, localizada no Norte do Iraque e ao Sul de Mossul, a terceira maior cidade do Iraque e fortaleza do grupo insurgente. A região tem sido palco de pesados conflitos.

O governo iraquiano está lançando uma nova ofensiva contra Mossul - depois de em janeiro deste ano ter conseguido retomar bairros da parte oriental - com o objetivo de desalojar as tropas do EI . Cerca de 800 mil civis vivem na área da região ainda em controle dos insurgentes.

A queda do último bastião do grupo no país pode abrir o caminho para a libertação de cidades como Hawija. As entrevistas com as refugiadas marcam o primeiro sucesso em documentar as atrocidades do grupo terrorista contra mulheres sunitas árabes - isto é, da mesma corrente islâmica de que faz parte.

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Uma das mulheres contou que, depois que seu marido fugiu, ela tentou escapar com seus filhos. O grupo em que viaja foi capturado pelo Estado Islâmico. Foi dito a ela, que foi identificada como Hanan, que o marido era um apóstata e que ela tinha que se casar com um dos líderes do grupo.

Ela se recusou e, por isso, foi espancada e passou a ser estuprada diariamente diante dos filhos. A diretora para Assuntos do Oriente Médio e Norte da África da Human Rights Watch, Lama Fakih, disse esperar que a comunidade internacional e as autoridades locais façam tudo a seu alcance para prover este grupo de vítimas com a assistência de que elas precisam.

A ONG também disse que mulheres sunitas muitas vezes não relatam os abusos sexuais a que são sujeitas por causa do estigma associado à situação e o risco para a reputação da mulher. Ela lançou um apelo para que mais seja feito para combater este preconceito e incentivar as mulheres a denunciarem a violência que sofrem.