Essa semana os relatos de um jovem sírio impressionaram pela brutalidade com que o mesmo era tratado na prisão em que esteve por cinco anos. O homem identificado como Omar El Shogre, disse que as violências que sofreu enquanto esteve preso eram absurdas. A primeira vez que foi detido sem motivo estava em sua própria residência, ele foi levado pela polícia local sob a suspeita de estar envolvido com os protestos que aconteciam contra o governo na época.

O fato de ser um jovem fez com que ele fosse submetido a anos a fio de tortura, e nunca houve por parte da justiça uma indagação de que ele pudesse ser inocente. O depoimento é extremamente chocante, a partir dele, pode-se ouvir sobre como funciona um país sob a égide da não-democracia.

Omar sofreu tortura desde daquele primeiro dia que foi levado pelos policiais. Ele ainda era um adolescente na época, com apenas 17 anos, sofreu abusos sexuais, eletro choques, teve o corpo queimado e foi espancado até quase ficar sem vida.

Na ocasião, os agentes perguntavam quantas pessoas ele tinha matado e quais as armas ele tinha usado para executar os indivíduos que supostamente teria tirado a vida. Ele negou veementemente enquanto pode, mas de tanto apanhar acabou se rendendo aos policiais e disse ter feito os crimes que nunca cometeu. Ele confessou sem ser culpado, e acabou entrando em um dos sistemas prisionais mais terríveis do mundo. Shorgre ficou preso na penitenciária de Saydnaya, uma das mais violentas no país. Práticas de enforcamento e tortura dos detentos são comuns no local, e inúmeros morrem sem que nem mesmo os parentes fiquem sabendo.

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Dentre as muitas denúncias feitas pelo jovem, está a de que eles não recebiam alimentação adequada e a morte por desnutrição era comum dentro da detenção. O local funciona quase como um campo de concentração, muitos deles eram abusados sexualmente sistematicamente pelos agentes penitenciários, e eram punidos de forma severa caso não cedessem à violência. As celas eram dividas para quase quarenta presos, em um espaço tão minúsculo que alguns deles tinham que dormir em pé.

Era rotina diária que um companheiro morresse dentro do cubículo, e que o corpo ficasse dentro do local por vários dias até que fosse retirado. Os atos de violência, segundo ele, tinham inclusive dia e horário marcado. As cenas de terror aconteciam por volta das quatro da manhã, três vezes por semana, e os detentos já sabiam que provavelmente quem fosse levado para o local onde os espancamentos aconteciam nunca mais voltaria.

O jovem sobreviveu por sorte, porque sua mãe conseguiu pagar para que ele saísse do inferno, ele perdeu quarenta quilos. Depois de sair ele ainda teve que enfrentar a dura rotina para conseguir imigrar para Europa, hoje vive em Estocolmo e tenta se recuperar do trauma psicológico.