O governo Trump, supostamente, busca conduzir proteção estratégica entre Rússia e Irã na Síria, porém essa cunha não será obtida em curto prazo. Esta noção supõe que a cooperação entre os dois países se limita aos esforços táticos na síria e ignora a ligação estratégica entre Moscou e Teerã, pois estes compartilham interesses fundamentais estratégicos, inclusive a repulsão dos EUA no Oriente Médio.

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Ambos são rivais históricos, cada um representa uma ameaça à ordem internacional existente. A Rússia pretende restabelecer-se como superpotência global, restaurando a ordem multipolar da Guerra Fria. O Irã visa tornar-se uma hegemonia regional, expulsando a presença dos EUA do Oriente Médio, minando a Arábia Saudita e eliminando Israel. Logo, apesar da rivalidade, um e outro provavelmente continuarão associados até que possam prever a possibilidade de alcançarem seus objetivos individualmente.

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Suas divergências se dão principalmente em pontos-chave. A Rússia não pretende usurpar a influência regional da Arábia Saudita, sequer destruir o estado de Israel. Assim mantém equilibrada a diplomacia entre Turquia, Irã, Arábia Saudita e Egito, bem como relações positivas com Israel.

Outra diferença é em relação aos curdos. O Irã teme o separatismo destes, porém a Rússia os vê como uma alavanca entre potências regionais e internacionais.

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Política

Mas, não oferecem nenhum apoio significativo para um Curdistão independente.

Embora divirjam em pontos chave, os dois países preferem cooperar na região, assim assegurando o alcance de seus objetivos.

Em relação à Síria, apoiam o regime contra seus adversários. O comando amigável no Irã em Damasco fornece uma base segura para apoiar o Hezbollah e conduzir operações contra Israel. A Rússia exige um governo disposto a garantir acesso em longo prazo às suas bases no Mediterrâneo, desafiando hegemonia dos EUA e OTAN na região.

Mesmo que Vladmir Putin abandone o apoio a Bashar al-Assad, não abalaria a parceria entre Rússia e Irã, por suas razões de cooperação.

Ambos querem minar a presença dos EUA no Iraque, impedindo que o país se torne uma base hostil, tendo um cenário passado da Guerra Irã-Iraque contra o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein. Já a Rússia formou uma célula de compartilhamento de inteligência com o Irã, Iraque e Síria e aumenta seu apoio de atores políticos alinhados com o Irã em Bagdá.

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Ainda buscam que o Afeganistão se torne um estado tampão estável, excluindo a presença dos EUA e OTAN da região. Então mantém sua presença e cooperação no país.

Tanto o Irã como a Rússia procuram retirar a Turquia da influencia direta dos EUA e da OTAN, simultaneamente acabam com o apoio de Ancara aos grupos de oposição da Síria. Também se opõe a visão estratégica Neo-Otomana do presidente turco Recep Erdogan, de afirmar domínio econômico, cultural e militar turco no Oriente Médio.

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Ambos países incentivam o movimento do Egito longe dos Estados Unidos e do Golfo. A Rússia, buscando novas bases militares no Mar Mediterrâneo e no Mar Vermelho, quer aliar-se ao Egito, controlando o Canal de Suez.

Cairo é visto por eles como um contrapeso para a Arábia Saudita, para a liderança dos sunitas no Oriente Médio.

A presença no Cáucaso é dada pela forte aliança que a Rússia mantém com a Armênia. O Irã também a apoia como contrapeso ao Azerbaijão, o acusando de fornecer a Israel uma base militar.

Contudo, estes países pretendem dividir a União Europeia e a OTAN, vendo-os como meios de dominação dos EUA na Europa. A Rússia pressiona a OTAN através de exercícios militares contínuos e com apoio de partidos políticos nacionalistas. O Irã incorporou em sua Política crítica a União Europeia, incluindo publicamente o apoio à Brexit.

Não há nada artificial ou inerente na aliança entre a Rússia e o Irã. O relacionamento entre eles baseia-se num jogo de interesses e objetivos estratégicos comuns. Ambos países estão construindo uma coalizão militar que possa operar em toda região que estende-se do Mar Mediterrâneo ao Golfo Pérsico.

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