No sábado (15), o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, fez uma visita de surpresa à zona desmilitarizada que divide a Coreia do Sul da Coreia do Norte. No domingo (16), os norte-coreanos fizeram mais um teste com um míssil balístico, mas falhou. Mas houve, também, um grande desfile militar nas comemorações de fundação do país.

A falha teria sido uma sabotagem eletrônico-cibernética promovida pelos Estados Unidos? Foi o que ponderou o jornalista Juan González, da agência de notícias estadunidense Democracy Now!, nesta segunda-feira (17).

A visita do vice-presidente estadunidense ocorre no momento mais crítico das tensões naquela península coreana, em especial após o deslocamento da frota militar da Marinha dos EUA para a região. Tal mobilização tem sido encarada como provocação pelos norte-coreanos, que disseram estar prontos a dar uma resposta caso sejam atacados pelos EUA.

A rede de notícias televisivas NBC, na semana passada, informou que o governo de Donald Trump estaria preparado para lançar um ataque preventivo caso a Coreia do Norte continuasse com seus testes de mísseis, em especial nucleares.

Pence fez uma declaração ameaçadora à imprensa: "Apenas nas últimas duas semanas, o mundo testemunhou a força e a determinação de nosso novo presidente em ações tomadas na Síria e no Afeganistão. A Coréia do Norte faria bem em não testar sua determinação ou a força das forças armadas dos Estados Unidos nesta região".

Os jornalistas da agência de notícias independente Democracy Now! Amy Goodman e Juan González demonstraram preocupação com a visita de Pence e as tensões crescentes. Gonzáles, analisando a questão, disse que não está claro se a presença militar estadunidense no mar asiático influenciou na falha do míssil norte-coreano, pois, segundo notícia do jornal The New York Times, os EUA têm um programa secreto (eletrônico-cibernético) que pode sabotar testes de mísseis da Coreia do Norte.

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Curiosidades

O jornalista disse ainda que Pence anunciou que os EUA avançariam com a implantação do sistema de defesa de mísseis THAAD na Coréia do Sul, apesar da oposição da China. Isto preocupa mais ainda, pois a China tem exortado aos EUA e à Coreia do Norte para baixarem o tom das ameaças.

O embaixador da China Lu Kang disse que seu país tem insistido sempre para que as partes envolvidas tenham moderação e que diminuam a tensão atual na Península Coreana, de modo a criar as condições necessárias para que voltem às discussões numa mesa diplomática e de forma pacífica.

Os jornalistas conversaram sobre o tema com a professora da Universidade da Califórnia Christine Hong, que esteve numa delegação estadunidense de paz na Península Coreana. Ela acredita que o governo Trump está promovendo um revisionismo da política (de paciência) do governo Obama.

Ela sublinhou que a política Obama tem sido mal interpretada, pois este travou uma guerra diferente, por meios eletrônicos, cibernéticos, contra a Coreia do Norte. "A política Obama em relação à Coreia do Norte era, de fato, uma guerra".

No entanto, acrescentou a professora, que Obama concentrou estrategicamente de 40% a 60% de forças navais no trecho Atlântico-Pacífico.

Hong disse, ainda, que os EUA têm realizado, de dois em dois anos, os maiores jogos de guerra do mundo com a Coreia do Sul, nos quais treinam a realização de várias atividades, inclusive decapitação de lideranças norte-coreanas, invasão e ocupação daquele país, bem como ataque nuclear com munições falsas.

Ela também acredita que a Coreia do Norte tem servido de pretexto para os EUA aumentarem sua ingerência na região Ásia-Pacífico.

"Temos motivos suficientes para estarmos assustados com a política externa de Donald Trump, que não serve para os americanos, muito menos qualquer outra pessoa no mundo".

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