Nas primeiras horas deste domingo (14), no horário local norte-coreano, Pyongyang realizou mais um teste de míssil balístico. O projétil subiu a dois mil quilômetros de altitude, permaneceu em voo por 30 minutos e caiu a 700 quilômetros do ponto de onde foi lançado, tendo como destino o mar entre a costa leste da Coreia do Norte e o Japão.

O regime norte-coreano tem usado preferencialmente esta mesma direção para testar os seus mísseis, e a agência Reuters revelou que obteve a informação de um oficial norte-americano (que falou sob a condição de anonimato) de que o foguete caiu a apenas 97 quilômetros ao sul da região russa de Vladivostok.

O Comando do Pacífico dos Estados Unidos – USPACOM, autoridade militar das forças armadas americanas responsável pelas regiões ocidental e central do Oceano Pacífico, incluindo a área da Indonésia – disse que estava avaliando o tipo de projétil que foi disparado, mas concluiu que sua trajetória "não é consistente com a de um míssil balístico intercontinental".

Tomomi Inada, ministro da Defesa do Japão, afirmou que o curso realizado pelo foguete pode indicar que a Coreia do Norte tenha testado um novo tipo de arma. Esta visão é compartilhada por Jonathan McDowell, cientista do Centro Harvard Smithsonian para Astrofísica (EUA), que ressaltou que altitude estimada de dois mil quilômetros atingida pelo projétil pode ser classificada como "definitivamente preocupante".

Estimativas de alcance

Segundo a Reuters, um projétil passa a ser classificado como "míssil balístico intercontinental" (intercontinental ballistic missile, ou ICBM) quando tem a capacidade de atingir um alvo localizado a mais de seis mil quilômetros de distância a partir do ponto de onde foi lançado, e segundo especialistas, o foguete norte-coreano disparado neste domingo teve seu alcance reduzido devido à alta trajetória percorrida.

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Entretanto, se tivesse seguido o curso padrão estabelecido para este tipo de arma – que, de acordo com a rede BBC, varia entre cerca de 800 e 1.600 quilômetros de altitude –, o míssil teria percorrido pelo menos quatro mil quilômetros.

Kim Dong-yub, do Instituto de Estudos do Extremo Oriente (IFES, ou Institute of Far Eastern Studies) da Universidade de Kyungnam, localizada em Seul, também realizou uma estimativa e chegou à conclusão de que percorrendo uma trajetória padrão, o projétil poderia ter um alcance de seis mil quilômetros.