O CEO da Smarmatic, empresa de tecnologia que desenvolve as urnas eletrônicas que foram usadas na votação pela constituinte na Venezuela, declarou que houve adulteração nos votos. Antonio Mujica disse a repórteres em Londres que houve uma diferença de um milhão de votos a mais nos relatos oficiais do governo. E completou: ''É com profundo arrependimento que temos de informar que os números da votação pela constituinte foram adulterados''.

O governo venezuelano atuou de forma autoritária para ganhar a constituinte.

De acordo com funcionários públicos do país, houve ameaças de demissão caso eles não comparecessem à votação da constituinte, e mesmo assim o governo teve que manipular a votação. Ao menos 10 pessoas morreram no dia da votação, incluindo crianças e adolescentes.

Aumento do aparato de repressão

Após os eventos do domingo na Venezuela, Nicolas Maduro tomou a sua primeira medida após se consagrar como vitorioso na eleição. Maduro prendeu novamente os líderes da oposição venezuelana, Leopoldo Lopes e António Ledezma.

Mesmo sem provas, o Tribunal Supremo de Justiça do país, que é composto majoritariamente por apoiadores do governo, afirmou que havia um plano para tirar o líder da oposição do país, para justificar a prisão do mesmo. Leopoldo Lopes cumpre pena de prisão de 13 anos e nove meses por incitar violência nas manifestações anti governo em 2014. Só em 2017, o número de mortos durante protestos no país passa de 120, e o de feridos chega a quase 2 mil.

Mesmo com um estado de calamidade na saúde, falta de alimentos, remédios e itens básicos, Maduro continua investindo em armamentos e milícias partidárias.

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Política

Há alguns meses, o presidente da Venezuela aprovou um plano para aumentar o número de integrantes da milícia nacional bolivariana para 500 mil homens, além de espalhar o raio de ação da milícia para todo o país e armar cada homem com um rifle.

Como a crise econômica se tornou uma crise humanitária

O país se mantém com o dinheiro arrecadado pela venda de petróleo pela estatal petrolífera do país, mas acaba por utilizar a maior parte do dinheiro para fins militares. A inflação no país chegou a 800% no ano de 2016, enquanto o PIB recuou 18,6%, se tornando uma das piores economias da história sob o regime de Nicolas Maduro.

Em 2016, a escassez de alimentos e itens básicos afetou 80% da população de Caracas, maior cidade do país, e esse problema vem aumentando cada vez mais, o que faz muitos venezuelanos fugirem do país.

A fronteira com a Colômbia foi aberta para que os cidadãos de cidades próximas pudessem comprar seus alimentos caso tivessem dinheiro, o resultado foi uma multidão cruzando a fronteira do país, com uma parte das pessoas não retornando.

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