Após a passagem do furacão Irma pelo Caribe e Estados Unidos, agora o novo furacão Maria avança (com potência crescente) sobre as águas do Oceano Atlântico. Inicialmente com categoria 1, Maria aumentou sua força para a categoria 5, num só dia, nesta quarta-feira (20).

A tormenta avança sobre Porto Rico, em direção a Dominica e outras ilhas caribenhas, muito castigadas pelo Furacão Irma. O primeiro ministro de Dominica, Roosevelt Skerrit, passou por momentos de tensão. Ele declarou na internet que estava completamente à mercê do furação, em uma casa inundada.

Mas ele foi resgatado.

O Caribe está repleto de destroços resultantes da passagem do furacão Irma. Assim, há o temor de que o novo furacão Maria transforme esses fragmentos em projéteis. Assim, a população corre contra o tempo para remover metais, vidros, entre outros materiais, antes da passagem da tormenta.

Mudanças climáticas

Na audiência da Organização das Nações Unidas (ONU), o seu secretário-geral, Antônio Guterres, disse que o acordo do clima deveria ser uma alta prioridade para a assembleia geral deste ano.

Segundo ele, as consequências de não se discutir o acordo são mostradas diariamente. "Desde 2008, eles sabem melhor que eu, cerca de 20 milhões de pessoas por ano foram deslocadas por causa das inundações, tormentas, incêndios e temperaturas extremas".

Ele destacou, também, que muitos eventos ocorrerão por conta das secas e do aumento do nível do mar, e que as mudanças climáticas não são distantes para as próximas gerações. "Está aqui, agora, e devemos lidar com isso", conclamou.

A jornalista Amy Goodman, da agência Democracy Now!, em seu artigo de 15 de setembro, também fez um chamado ao debate sobre as mudanças climáticas, após seu país, os Estados Unidos, e o Caribe sofrerem com a passagem do furacão Irma e a chegada do furacão Maria.

Acrescenta-se ainda a passagem do furação Harvey, no Texas.

Ela mostra que, não obstante todos esses eventos que ceifou vidas humanas e destruiu a infraestrutura, o presidente estadunidense, Donald Trump, viajou para Mandan, Dakota do Norte, onde proferiu discurso em frente a uma refinaria de petróleo, no qual elogiou a decisão do seu governo em reduzir medidas protetivas ao meio ambiente e incrementar a indústria de combustíveis fósseis, em detrimento de incentivar os combustíveis de fontes renováveis, limpas.

O governo Trump segue no seu propósito de construção dos oleodutos Dakota Access e Keystone XL, que passam por terras sagradas de várias etnias indígenas, em especial sioux. Conforme noticiado, os nativos protestam contra o oleoduto Dakato Access, pois agredirá a qualidade de água nas terras, em especial o Lago Oahe, importante fonte de água.

"Então, enquanto os desastres das mudanças climáticas atingiram os Estados Unidos, Trump, o homem que disse que mudança climática é uma invenção chinesa, estava fazendo tudo o que estava ao seu alcance para garantir futuras catástrofes", criticou Amy.

Após analisar a importância da resistência dos indígenas contra a construção de oleodutos em suas terras ancestrais, a jornalista avalia que os furacões que assolam os EUA e o Caribe deixaram claro qual é a verdadeira ameaça para a segurança nacional: a mudança climática e a indústria dos combustíveis fósseis (petróleo e gás), que está sendo intensificada.

O fundador da organização 350.org, Bill McKibben, em entrevista à agência Democracy Now!, disse: "Basicamente, estamos chegando ao fim do jogo.

Temos que mudar para as energias renováveis em 100%, e temos que fazê-lo rapidamente. No momento, é claro, Trump é favorável à indústria de combustíveis fósseis. Essas empresas estão cumprindo todos os seus desejos neste país. Mas, como muitas coisas que Trump toca, acho que esse é o último suspiro de ar dele. As pessoas estão começando a associar a loucura de avançar em direção ao futuro da estufa com o presidente mais irracional e desequilibrado que já tivemos em nossa história".

Eric Holthaus, em seu artigo publicado em Reader Supported News (RSN), em 14 de setembro, disse que os furacões colocaram os EUA em estado de crise nacional.

"Já vimos um pior cenário no Texas: no momento, o furacão Harvey é o desastre natural mais caro da história dos EUA. E agora há Irma, que causou estragos em toda a Flórida, o estado mais vulnerável da América. Em apenas duas semanas, os EUA poderiam arrecadar centenas de bilhões de dólares em perdas".

O que mais precisa Trump ver para declinar de sua decisão de abandonar o acordo do clima, de interromper a construção de oleodutos e incentivar o fomento de energias renováveis e limpas?

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