Pela primeira vez os pais do norte-americano [VIDEO] Otto Warmbier, 22 anos, rompem o silêncio sobre a morte e o perturbador estado de saúde do filho. Preso na Coreia do Norte em 2 de janeiro do ano passado, o rapaz condenado a 15 anos de trabalho forçado pelo crime de roubar um cartaz do ditador Kim Jong-un, foi mandado de volta a Cincinnati (Ohio, EUA) em junho deste ano.

Em entrevista exclusiva à emissora Fox News, nesta terça-feira (26), Fred e Cindy revelam a aflição e o horror ao constatarem o pavoroso estado do filho.

Apesar da imprensa noticiar que ele estava em coma, familiares contam que quando o avião pousou no aeroporto, em 13 de junho, eles ouviram o desconcertante grito do jovem, descrito como um urro desumano e aterrorizante. O estudante ainda estava consciente, até aquele momento.

"Nós caminhamos até o avião, os motores ainda estavam zumbindo, eles acabaram de pousar ... quando chegamos a meio caminho, ouvimos esse som uivante, involuntário e desumano", revelou Fred.

Era Otto, deitado na maca em desespero. Cego, surdo e com vários dentes quebrados, o jovem se debatia violentamente e gemia sem parar, amarrado à maca com um tubo de alimentação no nariz, segundo a descrição dos pais.

Antes do primeiro encontro, depois de mais de um ano da ausência do filho, Fred e Cindy revelam que nutriam esperança de tratá-lo no país.

Porém, ao observarem o deplorável resultado de meses de tortura na Coreia do Norte, rapidamente perderam as esperanças de recuperar a saúde do garoto. Ele era um morto-vivo, literalmente.

Desse jeito, o rapaz passou os últimos dias de vida, antes de morrer no Centro Médico da Universidade de Cincinnati, em 19 de junho. As revelações da brutal situação impressionaram até mesmo Donald Trump.

Como de costume, ele comentou o caso no Twitter. “Grande entrevista na @foxandfriends com os pais de Otto Warmbier: 1994-2017. Otto foi torturado para além da crença pela Coreia do Norte”, escreveu o presidente dos Estados Unidos.

Horror sem fim

Conforme o pai de Otto, o filho apresentava o semblante de um homem devastado pela violência. Estava careca, cego e surdo. Seus dentes pareciam arrancados por alicate.O olhar do garoto, conta Fred, era vago, perdido em pensamentos tortuosos.

“Ele estava cego. Ele era surdo. Enquanto olhávamos para ele e tentávamos confortá-lo, parecia que alguém tomara um par de alicates e reorganizou os dentes inferiores”, recordou.

Apesar da ditadura norte-coreana negar o flagelo, sob alegação de que o prisioneiro foi tratado de acordo com a legislação nacional e os padrões internacionais, a família da vítima contesta.

“A Coreia do Norte não é uma vítima, eles são terroristas. Eles feriram intencionalmente Otto", frisa o casal.

Veja a seguir a reportagem da CBN onde o rapaz é filmado retirando o cartaz do regime comunista da parede do hotel.