Considerada como a maior incursão militar efetuada pelo Brasil em terras estrangeiras desde o fim da Guerra do Paraguai (1864-1870), as forças de paz se retiraram a partir de 1º de setembro do território haitiano.

A jornada de 13 anos da presença das tropas cessa com atividades voltadas para a readequação das forças de segurança do país caribenho e a estabilização da violência local.

Segundo comunicado oficial emitido pelo Exército, todas as rondas e patrulhas efetuadas em Porto Príncipe pararam de acontecer em 2 de setembro.

O retorno dos soldados brasileiros à terra natal obedecerá a um planejamento prévio: prevê-se que a maioria do contingente volte ao Brasil até o dia 15 de setembro.

Alguns militares ficarão no Haiti para garantir a segurança da base e executar as últimas ações de ordem burocrática, incluindo a devolução de equipamentos e material pertencentes ao Brasil.

Boa parte do monitoramento das forças de paz se concentrou no bairro de Cité Soleil, localizado na capital, Porto Príncipe. O consenso entre o alto escalão do Exército Brasileiro é de que essa área está mais calma, porém ainda oferece risco. Jornalistas convidados para cobrir a última matéria a respeito do Haiti sob controle das tropas internacionais foram aconselhados a usarem capacetes e coletes à prova de bala. Eles obtiveram autorização para conversar com os moradores do bairro somente em duas oportunidades.

Em sua despedida, a patrulha chamou a simpatia [VIDEO] de alguns haitianos, porém, a maioria adotou uma postura mais distante – como se nada estivesse acontecendo.

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Outros se exasperaram, chegando a gritar palavrões.

Nas entrevistas feitas com os habitantes, o consenso é de que a violência [VIDEO] regressará aos bairros da capital haitiana e de que as sub-condições de sobrevivência permanecerão. Na visita dos jornalistas, observou-se miséria e grande quantidade de lixo nas ruas. Com a vinda de exércitos de outros países, os haitianos ganharam uma epidemia de cólera.

O balanço feito por Ongs que trabalharam no Haiti é de um legado pautado pelos gastos e pela reconstrução. A missão de paz chefiada pelo Brasil custou aproximadamente 7 bilhões de dólares desde o ano de 2014. Do ponto de vista social e nacional, a força de paz trouxe certa contenção na violência, alguma estabilidade política e a colaboração na reconstrução do Haiti após o terremoto de 2010, vitimando 200 mil pessoas aproximadamente.

Desde sua criação, em abril de 2004, cerca de 35 mil militares brasileiros passaram pelo modelo de forças de paz da ONU.

Segundo declaração do ministro da Defesa, Raul Jungmann, vários soldados que atuaram no Haiti deverão ser realocados para uma nova missão de paz. O destino é a África, mas ainda não há certeza de qual país receberá o contingente. Especula-se que seria a República Centro-Africana.