A Arábia Saudita é um país extremamente conservador e bastante rígido com suas regras. Mulheres no país costumam não ter voz e sofrem com a desigualdade imposta nas regras que regem a região.

Entretanto, nesta quarta-feira (27), as mulheres sauditas tiveram um motivo especial para celebrarem. Foi emitido um decreto real de que às mulheres da Arábia Saudita poderão, a partir do próximo ano, conduzir automóveis.

A ativista Manal al-Sharif, que defende a igualdade de gênero para as sauditas, reagiu ao fato em uma publicação na internet. Segundo a ativista, que já foi presa por protesto em 2011, a Arábia nunca mais será a mesma.

Segundo Manal, a chuva começa com uma gota, em referência aos direitos que poderão vir nos próximos anos.

O rei saudita Salman anunciou o decreto na noite da última terça-feira (26), com isso, foi possível ver vários vídeos online em que as mulheres sauditas estavam dirigindo, após a decisão real.

Abeer Alarjani, uma saudita de 32 anos. demonstrou toda a sua satisfação com a conquista que as mulheres da Arábia Saudita alcançaram nesta semana. Para ela, isso não pode ser entendido pelos outros em sua plenitude, mas o sentimento delas, nesse momento, é indescritível. A jovem ainda afirmou que pretende entrar nas aulas de direção no próximo final de semana.

A mudança que ocorreu na Arábia Saudita é um rompimento aos costumes conservadores impostos no reino muçulmano. O decreto de Salman vai de encontro as leis e costumes impostos as mulheres.

As mulheres sauditas, de acordo com os costumes do sistema de guarda masculina, precisam que um parente do sexo masculino aprove que elas tenham direito a tomar determinadas decisões como casamento, emprego, educação, entre outras.

Os árabes sauditas são muito criticados por suas mulheres ainda não terem a autorização ao direito de dirigir no país que é considerado o berço do Islamismo.

Com a medida adotada pelo rei saudita vem ao chão um tradicional emblema, visto pelas ativistas, de repressão às mulheres sauditas.

A decisão do rei foi enxergada como uma preparação ao príncipe Mohammed bin Salman, que herdará a coroa, em programar uma ambiciosa mudança nas regras conservadoras do país árabe.

Os responsáveis religiosos tiveram um pequena reação positiva ao decreto do rei, que pode ser um indício de o poderoso clero da Arábia Saudita inclina-se de forma definitiva a favor do rei.

A maioria dos sauditas jovens acreditam que o príncipe em ascensão pode revolucionar com mudanças nas tradições que fizeram as mulheres não progredirem na sociedade saudita.