Discursando pela primeira vez na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente norte-americano Donald Trump afirmou nesta terça-feira, dia 19, que seu país não terá outra escolha a não ser “destruir completamente” a Coreia do Norte [VIDEO] caso o país liderado por Kim Jong-Un prossiga com seu programa nuclear. As declarações foram dadas durante a 72ª assembleia geral realizada pela ONU.

Em um discurso que durou pouco mais de 40 minutos, o presidente dos Estados Unidos chamou o regime de Kim Jong-un de “depravado”, acusando o líder norte-coreano de ser responsável pela “morte, opressão, tortura e prisão” de cidadãos do país asiático contrários à atual administração.

Para Trump, a "desnuclearização é o único futuro possível" para a Coreia do Norte. O presidente norte-americano também pediu para que as nações internacionais trabalhem juntas para forçar Kim Jong-Un a "cessar seu comportamento hostil".

Trump afirmou que os Estados Unidos têm “grande força e paciência”, mas que podem ser “forçados a defender a si ou a seus aliados” caso a Coreia do Norte siga realizando testes com mísseis nucleares. Segundo o presidente norte-americano, Kim Jong-Un completará uma “missão suicida” caso Pynongang não retroceda em seus testes balísticos, que vem sendo realizado com alguma frequência nos últimos meses, incluindo mísseis que sobrevearam o território aéreo do Japão.

Durante sua fala, Trump também agradeceu à China e à Rússia pelo apoio dado às sanções comerciais contra a Coreia do Norte aprovadas recentemente, após mais um teste com míssil nuclear, mas voltou a cobrar que os países – parceiros comerciais de Pynongang – tomem medidas mais árduas para impedir as ações do país que, segundo suas palavras, “põe o mundo em risco”.

Ao pedir maior cooperação de outros líderes mundiais contra a Coreia do Norte, Trump classificou o regime de Kim-Jong Un como maligno. "Se os muitos justos não confrontarem os poucos maus, então o mal triunfará", afirmou o presidente norte-americano.

“América Primeiro” e críticas à ONU

Além da Coreia do Norte, Trump também abordou o nacionalismo em seu discurso, afirmando que, como presidente dos Estados Unidos, irá se esforçar para colocar a “América primeiro” ante a cooperação com a comunidade internacional. Segundo o governante, todos os líderes devem “colocar seus países em primeiro lugar”.

A posição de Washington é vista como um retrocesso aos valores da ONU, que desde o fim da segunda guerra mundial, em meados dos anos 1940, defende a cooperação entre as nações para garantir a segurança e o progresso mundiais.

“Alguma vez consertaram alguma coisa?”, disparou o republicano, ao se referir sobre o papel da ONU. “É como um jogo político”, completou o governante dos Estados Unidos, que recriminou também o “tratamento dado a Israel” pelo orgão internacional.

Ainda durante o discurso, Trump classificou o sistema de financiamento da ONU como “injusto”, criticando a questão monetária dos custos que mantém a organização ativa. Principal potência mundial e um dos fundadores e protagonistas da ONU desde sua criação, os Estados Unidos são também os principais contribuintes fiscais da organização.

Embaixador norte-coreano deixa local antes de discurso de Trump

Embaixador da Coreia do Norte na ONU, Song Nam foi flagrado deixando o salão de conferência pouco antes do início do discurso de Donald Trump.

Devido ao sorteio de lugares, os representantes da Coreia do Norte ficaram na primeira fila durante a fala do presidente norte-americano. Após o abandono do embaixador Nam, apenas um integrante da comissão norte-coreana acompanhou as declarações de Trump.