A ONG Transparência Internacional divulgou nesta segunda-feira (9) o relatório anual Pessoas e Corrupção: América Latina e Caribe, do projeto Barômetro de Corrupção Global 2017, uma pesquisa feita com mais de 22 mil pessoas em 20 países. O relatório aponta que mais da metade (53%) diz que o governo do seu país está falhando em combater a corrupção.

A cada três pessoas entrevistadas, uma diz que nos últimos 12 meses pagou alguma forma de suborno para utilizar serviço público, o que proporcionalmente significa que 90 milhões de pessoas praticaram suborno nestes países onde ocorreu a pesquisa. A maioria das pessoas vê que o nível de corrupção aumentou nos últimos 12 meses.

No Brasil, Peru, Chile e Venezuela, três quartos ou mais dos entrevistados disseram que a corrupção só cresce - no Brasil este percentual é de 79%.

Polícias e políticos são os ‘piores’

De acordo com a pesquisa, 47% dos entrevistados disseram que a maioria dos políticos e policiais de seu país é corrupta, resultado que superou qualquer outra instituição questionada. Venezuelanos e paraguaios foram os que mais apontaram nesse sentido.

As populações do México (51%) e da República Dominicana (46%), segundo a pesquisa, são as mais propensas a pagarem propina ou suborno quando precisam acessar serviços públicos básicos. No Brasil. o índice é de 11%. Em muitos países, 20% dos entrevistados apontaram na pesquisa que precisaram pagar suborno para conseguir atendimento em hospitais e escolas. Somente 9% denunciaram a prática de corrupção à alguma autoridade.

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Em Honduras, mais da metade da população afirmou ter pagado algum suborno referente às decisões judiciais.

População quer combater a corrupção

Segundo o levantamento, os brasileiros são os que se sentem mais empoderados (83%) para combater pessoalmente a corrupção. Na época das entrevistas, em 2016, ocorria o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o que pode ter levantado bastante este índice.

O relatório da ONG também destaca a Operação Lava Jato [VIDEO], cujas ramificações atingiram outros países da América Latina, mas também geraram consequências positivas, como a campanha "10 Medidas Contra a Corrupção", dos procuradores federais. Outra grande consequência destacada é própria denúncia contra o presidente Michel Temer.

Além do Brasil, a pesquisa mostra que Costa Rica, Honduras, Nicarágua e Paraguai são outros países onde a população acredita que deva ser a protagonista no combate a todas as práticas ilícitas. Majoritariamente, os brasileiros também acham que o governo está falhando totalmente em combater a corrupção.

Como saídas para este mar de lama que se alastra por todos os países, o relatório aponta que um sistema judiciário mais forte, limpo e transparente é vital para manter o engajamento do público, onde a população quer agentes públicos sendo punidos por quaisquer crimes cometidos.

"Sem isto, os cidadãos se tornarão desiludidos com o sistema governamental no seu país e a energia positiva por uma mudança pode se perder", finaliza o documento.

A ONG

A ONG International Transparency é um movimento global com uma visão: um mundo em que os negócios governamentais, sociedade civil e a vida das pessoas sejam livres de corrupção. Em sua análise, a entidade afirma que reduzir a corrupção é a chave para uma sociedade mais igualitária, e que o combate à corrupção fortalece os esforços de desenvolvimento, promove os direitos humanos e ajuda na erradicação da pobreza global.