Um dos personagens mais influentes do Vale do Silício, na Califórnia (EUA), Anthony Levandowski, 37 anos, engenheiro automobilístico que participou da criação do Google Street View, da Uber, e inventou o carro que dirige sozinho (Google), agora pretende inovar em outra área: a religiosa.

De acordo com o jornal britânico Daily Mail, além de exímio cientista, o engenheiro é especialista em estudos religiosos. A partir de análises conceituais de diferentes crenças, Levandowski almeja fundar a igreja cujo Deus será substituído pela Inteligência Artificial (IA).

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O periódico inglês acrescenta que documentos originais escritos pelo engenheiro enfatizam o propósito da religião ultramoderna. Segundo o criador, o objetivo da futura crença será pautado no desenvolvimento e na promoção de uma divindade alicerçada na Inteligência Artificial.

Ele não tem dúvidas de a inteligência humana ser superada pela artificial, em breve. Esse conceito é chamado de 'singularidade'. “A lealdade de Levandowski à singularidade - a crença de que a inteligência artificial crescerá um dia a tal eficiência que superará os seres humanos - não é surpresa”, escreve o jornalista Phoebe Weston.

Nem tão diferente assim

Candi Cann, professor de estudos religiosos na Universidade Baylor (Texas, Estados Unidos) e autor de livros sobre religiões, avalia que a ideia de um Deus sintético, constituído de IA não é diferente das crenças que as pessoas seguem na atualidade.

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Como exemplo de conceitos futurísticos na adoração da divindade, ele cita duas religiões norte-americanas: a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmons) e a Cientologia.

Conforme Cann, ambas concentram pontos de vistas à frente do tempo. “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias discute outros planetas e vida extraterrestre. A Cientologia enfatiza a terapia e uma visão de mundo psicológica, que é um pensamento bastante moderno e avançado”, declara.

O intelectual especula que a adoração a uma Inteligência Artificial poderá auxiliar a humanidade a lapidar sua natureza. "Desta forma, acho que a IA pode refletir o melhor dos humanos de volta para nós", conclui.

Ainda que o conceito pareça distante da realidade, ele reflete as permanentes mudanças pela qual a sociedade passa desde o início da era tecnológica.

Pelo andar da carruagem, é possível que Deus seja substituído por uma máquina em pouco tempo.

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Afinal, vivemos num período no qual nem mesmo vendo, cremos.

Ao menos a IA será tangível. Talvez isso baste. Ou, quem sabe, surjam novos modelos de deuses, como acontece desde sempre.

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