Os incêndios florestais, que não param de se espalhar na Califórnia (EUA), levaram a óbito 29 pessoas e centenas de outras estão desaparecidas. Foram contabilizados 20 incêndios, que consumiram 68,8 mil hectares, destruíram milhares de estruturas e levaram dezenas de milhares de pessoas a fugir para outras áreas.

Mais de oito mil bombeiros têm lutado contra as chamas, numa árdua batalha que dura mais de 80 horas. Os bombeiros ganharam o reforço de prisioneiros, que recebem o parco salário de US$ 1 dólar por dia (R$ 3,17). As informações são da Democracy Now!.

Os bombeiros contam com mais de 500 caminhões-pipa, 73 helicópteros e 30 aviões, na luta desigual contra os incêndios, que estão incontroláveis desde domingo passado.

O chefe do Corpo de Bombeiros da Califórnia, Ken Pimlott, declarou que estes incêndios estão literalmente queimando mais rápido do que os bombeiros conseguem combatê-los.

Pimlott acrescentou que há cinco anos o estado é atingido por incêndios florestais, não obstante as ocorrências de chuvas no inverno passado. A umidade decorrente desapareceu e o estado vive com vegetação ressecada, o que facilita em muito a ocorrência de queimadas. "Esses incêndios ardem ativamente dia e noite, quando se espera que o fogo seja reduzido. E não se engane: este é um evento sério, crítico e catastrófico", enfatizou o chefe dos bombeiros.

No condado de Sonoma, na Califórnia, os incêndios [VIDEO]têm sido os mais destrutivos, onde as autoridades investigam as redes elétricas da empresa Pacific Gás e Eletricidade para determinar se é um dos vetores dos incêndios no local.

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Acredita-se que, desde o início dos incêndios, houve explosões em transformadores de energia elétrica da empresa, caracterizando falta de manutenção adequada, por parte da Pacific, das linhas de transmissão de energia elétrica. Em 2015, em Butte, houve evento semelhante e que levou a óbito duas pessoas.

Segundo o Serviço Nacional do Clima dos EUA, os incêndios persistirão por três dias, em função das condições climáticas - falta de chuvas e os ventos quentes que atingem mais 55 km/h, contribuindo para a propagação das chamas. O governador da Califórnia, Jerry Brown, avaliou que estes incêndios são um dos maiores da história.

Aquecimento global

Os poderosos ventos quentes que atingem o estado da Califórnia, aliados à seca, resultaram nesta situação explosiva dos incêndios. Foi declarado estado de emergência ao Norte do estado, no momento em que as chamas ceifaram 17 vidas humanas.

O Serviço Florestal dos EUA advertiu no ano passado que uma seca sem precedentes, de cinco anos de duração, havia causado a morte de mais de 100 milhões de árvores na Califórnia, formando as condições propícias para incêndios de grandes proporções.

Especialistas em clima consideram que o Aquecimento Global causado pelo ser humano teve um papel preponderante para a seca local. Esta é a visão, por exemplo, do biólogo Park Williams, do Observatório Lamont-Doherty, da Universidade de Columbia (EUA). Ele é um dos autores de um relatório, publicado em 2016, onde demonstra que o aquecimento global é responsável por cerca da metade das queimadas no Oeste dos EUA nos últimos três anos.