Na sexta-feira (27), pesquisadores de uma empresa de New Quay (Reino Unido), especializada na observação de golfinhos, foram surpreendidos pela imagem de dezenas de polvos - moluscos compostos de oito braços, corpo mole, dois tentáculos e olhos análogos ao do ser humano - andando pela praia.

Por necessitarem das brânquias para obter oxigênio, polvos não duram muito tempo fora da água. Contudo, naquela data, cerca de 20 desfilaram pelas areias de New Quay, por volta das 22 horas.

Ainda que o motivo para os moluscos abandonarem o habitat natural seja desconhecido, especialistas acreditam que as mudanças na pressão atmosférica da região, causadas pelas recentes tempestades Ophelia e Brian, foram responsáveis.

Apesar da hipótese, cientistas [VIDEO] admitem não haver respostas para o fenômeno. Brett Jones, dono da empresa SeaMôr Dolphin Watching Boat Trips, declara tê-los avistado ao retornar da expedição voltada ao estudo de golfinhos.

“Eles estavam saindo da água e se arrastavam na praia. Nós não sabemos o que está causando isso. Talvez seja porque o mar [estava] bastante [agitado] recentemente, mas nunca vi nada parecido antes. Eles estavam caminhando nas pontas de suas pernas”, fala Jones, ao acrescentar que essa é a primeira vez que os moluscos são notados fora da água.

O pesquisador ainda ressalta outra particularidade. Diz que a espécie dos ‘polvos enrolados’, comuns na costa britânica, vivem a 100 metros de profundidade e dificilmente abandonam o oceano.

Outro estudioso da vida marinha, James Wright, do National Marine Aquarium, de Plymouth (Inglaterra), também demonstra espanto com o episódio gravado nas areias do País de Gales.

Em entrevista ao Daily Mail, Wright argumenta que, em certas ocasiões os polvos foram vistos saindo do mar para caçar na areia. Porém, admite anormalidade na quantidade captada ao mesmo tempo.

Ainda destaca outra faceta do incomum comportamento desses moluscos. Segundo o cientista, a conduta apresentada não indica interesse em procurar alimentos na superfície.

“Eles estão rastejando pela praia e não estão procurando por presas em piscinas de pedra, e isso não tem caráter e não se encaixa com seu comportamento de criação ou alimentação", observa.

O pesquisador alerta para a população devolver os bichos ao mar.

Alguns já foram encontrados mortos, no sábado (28). Até o momento, as tempestades marinhas é a hipótese dominante para explicar a confusa conduta dos moluscos.

“À medida que as áreas onde estão exibindo esse comportamento estranho coincide com as duas áreas atingidas pelas duas recentes depressões de baixa pressão e tempestades associadas ao Ophelia e o Brian, pode-se supor que estas as tenham afetado”, conclui James Wright.