O mundo ainda tenta digerir as cenas de truculência por parte dos policiais que agrediram mais de 900 eleitores no plebiscito separatista do último domingo (1º) na Catalunha. A mando do governo de Madri, a forca policial agrediu idosos, arrastou mulheres pelos cabelos e chutou os cidadãos que persistiam em votar. Além de ter a imagem arranhada pelos episódios de violência, o governo de Mariano Rajoy foi surpreendido pelo desejo de mais 90% dos eleitores da Catalunha de se separar de vez da Espanha.

Nesta terça-feira (3), em Barcelona, um protesto com milhares de pessoas paralisou a Catalunha. Apesar da infraestrutura como aeroportos e linhas de trem funcionar normalmente, o porto teve as atividades totalmente paralisadas.

Nos horários de pico, apenas 25% do transporte público funcionou e os servidores públicos do município de Barcelona, que também é a capital da Catalunha, não foram trabalhar. Além disso, 75% dos servidores da saúde aderiram a greve e paralisaram os seus trabalhos.

A paralisação ainda registrou a interdição de 47 estradas e em algumas vias, como a Tarragona, populares queimaram pneus. Pontos turísticos e culturais, como La Pedrera e San Pau, foram fechados ao público neste dia de protestos. Algumas cenas marcaram e comoveram o país, como uma manifestação de populares na Central Grand Via em Barcelona, carregando bandeiras e gritando palavras de ordem como "as ruas serão sempre nossas".

Para o povo da Catalunha, isso é uma espécie de hino dos separatistas.

Embora seja integrante da Espanha, a Catalunha já é uma região autônoma que conta com um parlamento próprio e uma polícia sob seu mando, os Mossos d'Esquadra. As constantes vitórias nas urnas e a violência extrema do último domingo motivaram os separatistas a defenderem de vez uma separação completa.

Jogadores do Barcelona se juntam aos manifestantes na Catalunha

A equipe do Barcelona também mostrou apoio incondicional aos protestos contra o governo deixando o clube fechado durante todo o dia. Os dirigentes da equipe emitiram um comunicado oficial informando que a diretoria, comissão técnica, jogadores e todos os funcionários iriam se juntar aos manifestantes contra a violência policial autorizada pelo governo de Madri e apoiar a Catalunha na separação da Espanha.

No comunicado, o clube destacou "condenar energicamente o uso da violência para impedir o exercício do direito democrático e a livre expressão dos seus cidadãos durante o referendo realizado no último domingo na Catalunha".