A Idade Média acabou há séculos. Porém, alguns hábitos nunca mudam. Apesar das histórias sobre bruxas [VIDEO] sendo torturadas e queimadas na fogueira, no período da ‘Idade das Trevas’, pertencer ao passado, casos semelhantes ainda são documentados em pleno século 21.

O mais recente aconteceu na aldeia de Madhupur, distrito de Mayurbhanj, estado de Odisha (Índia). Acusadas de bruxaria, cinco mulheres foram amarradas a uma árvore. Depois, espancadas e humilhadas por centenas de pessoas.

Além delas, os maridos, suspeitos de compactuarem com as crenças esotéricas das esposas, também foram agredidos pela enfurecida multidão.

Gravado por uma testemunha, o vídeo mostra as vítimas trajadas com roupas tradicionais. Presas por cordas amarradas na árvore, elas são xingadas e violentadas com pequenas varas.

Conforme o jornal britânico The Sun e Daily Mail, a tortura aconteceu sem intervenção policial. Somente após elas procurarem as autoridades, a investigação teve início. “Depois de receber uma reclamação por escrito das vítimas, os policiais registraram o caso e iniciaram uma investigação”, comenta o jornalista Corey Charlton.

Caça às bruxas

Embora episódios de preconceito contra as diferentes práticas ritualísticas também sejam registrados no Brasil, como o recente caso da mãe de santo que teve de fugir da favela depois de ser ameaçada por traficantes evangélicos no Rio de Janeiro, moradores do distrito de Mayurbhanj são conhecidos pela tortura e até mesmo assassinatos [VIDEO] de indivíduos envolvidos com feitiçaria.

Em depoimento à imprensa inglesa, Rajesh Prabhaker, funcionário público do distrito onde a violência foi gravada, comentou os esforços para inibir o comportamento. Disse haver uma equipe especializada no assunto, cujo trabalho consiste em identificar pessoas que podem ser vítimas de espancamento devido à crença religiosa.

Prabhaker argumentou que o analfabetismo das comunidades tribais, aliado ao folclore sobre o assunto resultou em 47 homicídios entre os anos de 2011 a 2015. Todos os mortos eram suspeitos de bruxaria.

"Nós tentamos educá-los sobre como a crença cega causa danos", disse.

Até o momento, não há informações sobre a prisão dos agressores nem sobre o estado de saúde das vítimas.

Ao que parece, nós saímos da Idade Média. No entanto, como diz um velho jargão popular, cuja origem se perde na poeira do tempo: “A Idade Média não saiu de nós”.