Desde o início do trâmite legal para a saída do Reino Unido da União Europeia, a questão da Irlanda do Norte vem sendo discutida e passa a ser fundamental nas negociações entre o governo Inglês e o bloco europeu. Não existe separação física entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte, sendo assim, o governo norte-irlandês passou a exercer pressão para o país não ser ainda mais isolado no contexto europeu.

Não é só a questão econômica que está em jogo no momento, mas, o contexto histórico. Separadas por uma fronteira geográfica invisível, as duas Irlandas estão pacificadas, mas ainda mantêm a separação ideológica. No quadro atual, a Irlanda do Norte seria ainda mais isolada por ter de respeitar as regras de circulação de mercadorias e pessoas do bloco europeu.

Isso torna praticamente inviável a sua existência econômica. Portanto, só lhes interessa a criação de um acordo aduaneiro onde a Irlanda do Norte possa se manter como parte das resoluções da comunidade europeia.

Há um acordo vigente que visa a livre circulação, sendo possível transitar entre os países sem nenhum tipo de fiscalização. Porém, com o brexit, o acordo passa a ser moeda de troca para o bloco europeu contra o Reino Unido, visto que, na Irlanda do Norte, que votou contra o Brexit, já circulam ideias lideradas pelo grupo extremista Sinn Féin (antigo braço do IRA) propondo um plebiscito para a nova união das Irlandas.

Porém, a proposta parece improvável ainda, já que a separação ideológica e de identidade permanece muito forte. Além, disso a República da Irlanda, que prospera economicamente na área de tecnologia, teria de investir muito dinheiro na reestruturação da parte norte da ilha, bem como na geração de novos empregos, uma vez que existe uma alta taxa de funcionários da Coroa Britânica na Irlanda do Norte.

O atual cenário de insatisfação do governo da Irlanda do Norte – expressada publicamente na Câmara dos Lordes - com o rumo das negociações mediadas pelo governo britânico será de suma importância no desfecho das resoluções, já que uma possível re-união irlandesa desestabilizaria o Reino Unido [VIDEO]. Isso geraria uma onda de questionamentos identitários, lembrando que a Escócia votou pela permanência no bloco e poderia se interessar em um possível desligamento do Reino Unido [VIDEO]. Sendo assim, a Comunidade Europeia tem mais uma carta na manga para pressionar a Inglaterra em troca de melhores termos nas negociações na próxima reunião.