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Condenado à morte por assassinato, Alva Campbell, de 69 anos, já havia recebido suas visitas derradeiras, jantado pela última vez e até se despedido fazendo uma oração final, na quarta-feira (15), no estado de Ohio, nos Estados Unidos.

Porém, um fato surpreendente transformou a programação de execução em um espetáculo bizarro que provocou uma reviravolta [VIDEO]no cumprimento da sua ‘pena capital’.

Tudo aconteceu quando Campbell já tinha sido levado à câmara de morte, onde estava amarrado em uma maca, com um travesseiro sob a cabeça.

Apesar de o detento estar tão doente a ponto de quase não conseguir respirar, os dois enfermeiros encarregados do serviço ficaram tentando durante meia hora, mas não conseguiram cumprir a ordem judicial de executá-lo.

O procedimento foi suspenso, e Campbell acabou devolvido à cela.

O que aconteceu?

Os advogados de Alva Campbell já haviam avisado que seria quase impossível executar o homem pelo método planejado. Por, isso, o próprio condenado chegou a propor seu fuzilamento.

Alva Campbell fumou por décadas e sofre com obstrução pulmonar, precisa de andador para caminhar, carrega uma bolsa de colostomia e mal respira. No entanto, nada disso impediu que a execução fosse levada adiante pelo método escolhido, nem mesmo pela Suprema Corte local nem por John R. Kasich, governador de Ohio (EUA).

Então, na quarta-feira (15), dia marcado para a execução, os enfermeiros furaram diversas vezes os braços e a perna de Campbell em busca de uma 'veia boa'.

Após muitas tentativas, finalmente, parecia que a inserção do cateter tinha sido bem-sucedida.

O sentenciado chegou a despedir-se diante dos dois guardas. Mas minutos depois, testemunhas e imprensa foram solicitadas a deixar o local, sem explicação prévia.

Mais tarde, soube-se. Os ‘verdugos’ simplesmente não conseguiram encontrar uma veia capaz de manter o cateter intravenoso necessário à introdução da injeção letal.

O porta-voz da prisão, JoEllen Smith, confirmou: todas as tentativas da equipe médica foram frustradas.

Já o chefe do Departamento de Reabilitação e Correção de Ohio, Gary Mohr, disse que eles ‘lidaram humanamente com a tentativa’, mas que as condições das veias de Campbell apresentaram mudança desde os exames realizados na terça-feira (14).

O caso repercutiu na imprensa mundial. (Veja vídeo, em inglês):

E agora?

De acordo com a sentença, Alva Campbell - com antecedentes por um homicídio cometido em 1972 - precisa ser executado.

Em 2 de abril de 1997, era levado sob custódia para enfrentar um julgamento por roubo de armas. Fingiu paralisia, foi levado em cadeira de rodas e, de repente, tirou a pistola do agente que o conduzia.

Na fuga, entrou no carro de Charles Dials, de 18 anos, manteve-o refém por horas no veículo e acabou matando o jovem com dois tiros na cabeça.

O tio da vítima, além do irmão e da irmã de Campbell, foram assisti-lo morrer na execução que acabou fracassada.

Agora, os advogados pedem a comutação da pena. Porém, o estado de Ohio garantiu que vai agendar a execução para uma nova data.

Ron O’Brien, procurador do condado de Franklin, chamou Campbell de “garoto propaganda para a pena de morte”.

Terceira vez

Está é a terceira vez na história dos Estados Unidos que uma execução, já iniciada, foi suspensa.

O primeiro caso ocorreu em 3 de maio de 1946, na Louisiana. Willie Francis, de 17 anos, estava na cadeira elétrica, mas faltou energia. Mais tarde, a Suprema Corte autorizou uma nova tentativa. Dessa vez, há houve contratempos.

O segundo episódio foi em 15 de setembro de 2009, também em Ohio. Após 18 tentativas de cravar a agulha em Romell Broom, condenado por estupro e assassinato de uma garota de 14 anos, a execução foi adiada. Broom permanece no corredor da morte, esperando o chamado. [VIDEO]