O tempo é o grande inimigo da tripulação, composta por 44 pessoas, do submarino argentino San Juan, desaparecido desde a última quarta-feira (15). Com o oxigênio chegando ao fim, não são economizados esforços na tentativa de localizá-lo e as equipes de buscas ganharam mais um aliado nesta terça-feira (21), quando os Estados Unidos disponibilizaram dois dos aviões mais modernos da marinha para ajudar nas buscas: o P-8A Poseidon.

Essas aeronaves foram projetadas para enfrentar submarinos, porém desta vez sua missão será de tentar salvar vidas, uma vez que sua tecnologia permite localizar grandes corpos na água, incluindo operações de resgate debaixo da superfície.

A Marinha americana também enviou quatro embarcações submergíveis pilotadas por controle remoto.

O que torna a operação mais tensa e delicada é o risco de falta de oxigênio. O submarino tem capacidade para ter oxigênio suficiente para sete dias e sete noites. Esse oxigênio é reposto toda vez que o submarino emerge à superfície. Para o porta-voz da Marinha Argentina, Enrique Balbi, a situação pode ser muito crítica, uma vez que já fazem seis dias que a tripulação fez um último contato. “A situação mais crítica seria o fato de estarmos no sexto dia de oxigênio”, explicou.

Equipes de vários outros países, como Chile, Reino Unido, Peru, Colômbia, Uruguai e Peru, além do Brasil, também enviaram ajuda para tentar sua localização. As buscas estão sendo realizadas em uma área de 400 quilômetros quadrados.

Entenda o caso

No último dia 13, o submarino ARA San Juan, com 44 pessoas a bordo, saiu de Ushuaia, na Patagônia e tinha como destino Mar del Plata, onde sua chegada estava prevista para o domingo (19). Seu último contato foi na quarta-feira (15), quando já se encontrava a 432 quilômetros do local de onde havia partido. De acordo com a Marinha argentina, nessa última comunicação, o capitão da embarcação relatou problemas de bateria e que havia apresentado um curto-circuito.

O Ministério da Defesa da Argentina havia informado no último sábado (18) que sete tentativas de chamadas via satélite haviam sido realizadas, e que poderia ter vindo do submarino, porém essa informação não foi confirmada no inicio desta semana. Gabriel Galeazzi, comandante da Marinha argentina, disse que as buscas seguirão até o submarino ser encontrado. Enquanto isso não acontece, equipes já realizam treinamentos para o resgate da tripulação. Uma câmara submarina de resgate, com capacidade para submergir até 200 metros de profundidade, foi trazida dos Estados Unidos. Ela tem capacidade de resgatar até seis pessoas por descida.