Segundo informações disponibilizadas pelos sites Mail Online e Telegraph, fontes de notícias provenientes do Vaticano – país-sede da Igreja Católica, situado dentro da cidade de Roma, na Itália – afirmaram que o Papa Francisco está considerando a possibilidade de colocar em debate [VIDEO] a perspectiva de que homens casados possam se tornar padres, de modo que estes religiosos atuem em comunidades remotas onde há escassez crônica de sacerdotes.

A proposta, elaborada por bispos do Brasil e avalizada pelo cardeal Dom Claudio Hummes – presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia e amigo pessoal do sumo pontífice –, visa uma atuação mais presente de padres em locais onde movimentos protestantes ou agnósticos estão arrebanhando fiéis que antes eram católicos.

Em território amazônico, por exemplo, chega a existir apenas um sacerdote para atender a cada 10 mil pessoas, o que significa que os ensinamentos religiosos acabam sendo providos somente algumas vezes ao ano em uma dada comunidade. A solução de ordenar homens casados poderia enfrentar certa resistência e causar indignação [VIDEO] nos setores mais conservadores da Igreja, mas alguns teólogos já admitem que o recurso pode ser perfeitamente aceitável, uma vez que o celibato (ato de se manter solteiro) é mais uma questão de disciplina do que de dogma (doutrina fundamental de caráter indiscutível).

Exceções à regra

Na proposta brasileira, poderiam ser ordenados padres os homens conhecidos pelo termo viri probati – que em latim quer dizer algo como "homens testados" –, ou seja, indivíduos casados, de fé comprovada, que sejam capazes de ministrar espiritualmente às comunidades isoladas.

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Como o Papa Francisco permanece a favor de que sacerdotes tradicionais se mantenham solteiros, a questão do celibato só seria levantada parcialmente nestes casos específicos relacionados a pessoas que atuariam em regiões onde há escassez de religiosos formados. Assim, um homem casado poderia viver com sua família ao mesmo tempo em que celebra os ritos da Igreja Católica, e, além disso, não precisaria fazer o voto de castidade ao qual os padres habituais são submetidos, podendo levar uma vida conjugal normal.

A ideia dos religiosos brasileiros, que também pode ser estendida para a África (onde é comum sacerdotes católicos possuírem família, e o benefício regularizaria a situação deles perante o Vaticano), foi endossada pelo Monsenhor Giacomo Canobbio, um importante teólogo italiano, que segundo o Telegraph, afirmou: "O fato de se ter uma esposa ou filhos não limita em nada o trabalho em uma paróquia".

Para Canobbio, que concedeu uma entrevista ao jornal italiano Il Messaggero, o sumo pontífice pode, de fato, fazer esta modificação na doutrina católica, mas primeiro será preciso iniciar um processo colegiado para resolver a questão – mesmo que ela seja considerada "urgente" para a Igreja.