Agências internacionais divulgaram que o Zimbábue não está mais sobre o comando de Robert Mugabe. O agora ex-presidente entregou o cargo um dia após declarar que não renunciaria ao poder.

Por meio de uma carta enviada ao legislativo do país, Mugabe declarou que decidiu renunciar para estabelecer uma transição [VIDEO]pacífica do poder e também para garantir salvaguarda jurídica para ele e seus familiares. O então ex-presidente enviou sua renúncia direto da África do Sul, para onde viajou após rumores de conflitos ou intervenção militar direta ao seu governo e também a abertura do processo de Impeachment.

Mugabe é o presidente mais velho do mundo que estava no poder. Por quase 40 anos, o líder africano impôs um governo controverso que reprimia opositores e relatos de violações do direitos humanos em meio a uma crise econômica que afetava o país africano.

Ex-vice-presidente pode assumir

Um personagem central na renúncia de Robert Mugabe se chama Emmerson Mnangagwa e era considerado um dos homens de confiança do presidente africano que renunciou. Mnangagwa foi expulso do governo e desencadeou uma série de ações por parte dos militares que tomaram o controle das TV e rádios estatais.

A intervenção militar no país colocou blindados de combate e milhares de soldados pelas ruas do Zimbábue numa clara declaração de oposição ao governo vigente, criando um ambiente de instabilidade e forçando a opinião pública e pedir a renúncia do presidente Robert Mugabe. Apesar de tomarem as ruas, a declaração oficial dos militares era que não se tratava de um golpe de estado e sim de uma proteção institucional ao país contra políticos corruptos.

A notícia da renúncia do presidente do Zimbábue ocorre um dia após ele mesmo convocar uma coletiva para dizer que não sairia do cargo, mesmo com a presença de militares nas ruas e a articulação política dos opositores e governistas para a realização de um impeachment. Mugabe também queria manter o poder transferindo o mandato para a sua esposa, a primeira-dama Graça Mugabe, que foi expulsa de seu partido União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (ZANU-PF).

Dinastia Mugabe

O então presidente Robert Mugabe era um dos políticos que há mais tempo estava no poder no continente africano e também um dos mais longevos líder a frente de um país. Por quase quatro décadas e reeleições contínuas, Mugabe se manteve no poder amparado por grande apoio militar e repressão a opositores.

Apesar de existir um regime democrático no ZImbábue e também a realização de eleições presidenciais, Mugabe sempre se elegeu para o cargo em meio a denúncias de fraudes eleitorais e manipulação de resultados e pesquisas de intenção de votos.

O Zimbábue

O país africano saiu de uma grande crise recentemente.

Com histórico de hiperinflação até 2009 e com a economia instável, o Zimbábue é um pequeno país africano que faz divisa com Botsuana, Moçambique, Zâmbia e África do Sul. Seu Produto Interno Bruto (PIB) foi de 16,29 bilhões de dólares em 2016. Sua capital é Harare e seus principais produtos nacionais que alimentam a exportação são insumos da mineração, química e agricultura como algodão e tabaco.

Presença chinesa na crise

O presidente de China, Xi Jiping, esteve no país em 2015 para uma visita oficial e sites de notícias internacionais divulgaram que o gigante asiático queria aumentar sua influência política e econômica no continente africano, mas as atuais condições de governo e a instabilidade no Zimbábue não eram as ideais para isto.

Parceiros de longa data, a China quer garantir a segurança política para os investimentos realizados ao londo de décadas no Zimbábue. Com a saída de Robert Mugabe do poder, os chineses podem ajudar na construção de um novo governo e aumentar sua articulação política e diplomática no país.

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