O congresso peruano optou nesta sexta-feira, dia 22, por não acatar o pedido de impeachment contra o presidente do país [VIDEO], #Pedro Pablo Kuczynski. A decisão dos parlamentares foi tomada após 14 horas de sessão, em placar que terminou com 78 votos a favor do impeachment, contra 19 contrários e 21 abstenções. Para que o pedido fosse aceito, eram necessários 87 votos.

O pedido de impeachment apresentado pela oposição acusava Kuczynski de “permanente incapacidade moral”. O processo foi motivado após surgirem informações de que o presidente peruano teria recebido dinheiro da empreiteira brasileira Odebrecht através de supostas consultorias financeiras oferecidas por sua empresa, a Westfield Capital, entre os anos de 2004 e 2007.

Assim que o escândalo foi divulgado, a oposição se mobilizou para apresentar o pedido de impeachment, enquanto Kuczynski e a base governista negaram qualquer irregularidade com as relações da empresa do presidente e a #Odebrecht, principal pivô da Operação Lava Jato, considerado um dos maiores escândalos de corrupção já descobertos no Brasil.

Antes de assumir a presidência, Kuczynski atuou como ministro da Economia e primeiro-ministro do ex-presidente Alejandro Toledo durante os anos em que é acusado de ter se beneficiado de verba da Odebrecht, que teria pago por suposta consultoria financeira em relação ao projeto de irrigação Olmos, realizado na região desértica dos Andes.

Presente no Congresso, Kuczynski discursou antes do início das votações, quando voltou a alegar inocência. “Venho demonstrar minha inocência porque a isso sou obrigado.

Pois, ao que parece, não tenho presunção de inocência”, disse, em declaração veiculada pelo portal de notícias G1. O presidente esteve acompanhado de seu advogado, Alberto Borea, que o instruiu durante o escândalo que causou uma verdadeira tempestade política no país.

Em sua defesa, Kuczynski também afirmou que, na ocasião dos contratos com a Odebrecht, a empresa era gerida por seu ex-sócio, Geraldo Sepúlveda, que teria firmado os acordos com a empreiteira brasileira, os quais alega não ter tido conhecimento na época.

Alvo de intensas investigações desde a eclosão da Lava Jato, a Odebrecht firmou acordos de cooperação com o Ministério Público brasileiro, a quem revelou informações sobre as propinas pagas no país no exterior.

A empresa admitiu ter pago US$ 29 milhões em propinas para obter concessões e vantagens comerciais no #Peru durante os anos de 2004 a 2015, período em que o país sul-americano foi governado por três presidentes, dois deles acusados de envolvimento com os escândalos de corrupção da Odebrecht.

Presidente durante os anos de 2001 a 2006, Alejandro Toledo tem uma ordem de extradição dos Estados Unidos, acusado de ter recebido US$ 20 milhões da empreiteira. Já Ollanta Humala, que presidiu o país entre os anos de 2011 e 2016, foi preso de forma preventiva após ser acusado de ter recebido US$ 3 milhões durante sua campanha eleitoral, em 2011.

Ainda em sua defesa, Kuczynski disse que nunca agiu com conflito de interesses enquanto atuou como ministro, primeiro-ministro e presidente. "Sou um homem honesto, jamais recebi uma propina, um suborno, que tenha distorcido a minha vontade”, declarou.

Após a vitória no Congresso, Kuczynski voltou a se manifestar, desta vez usando seu perfil no Twitter para pedir reconciliação e união aos cidadãos do Peru.

“Peruanos. Amanhã começa um novo capítulo de nossa história: reconciliação e reconstrução do nosso país. Uma só força, um só Peru”, publicou o presidente em conta na rede social de microblogs.