O primeiro sinal de maus-tratos foi o cheiro de um apartamento do terceiro andar de um prédio em Lisboa, Portugal. A cada encontro entre vizinhos a conversa sobre a inconveniência era frequente, mas eles nunca poderiam imaginar o que realmente acontecia lá dentro. A situação começou a ficar mais suspeita quando os animais que lá residiam miavam e ladravam em tom de lamuria e aflição.

A polícia foi convocada pelos vizinhos para averiguar uma suspeita de maus-tratos, ou pelo menos dar um ultimato para que os moradores desse apartamento resolvessem os inconvenientes gerados pelos animais. Os vizinhos a princípio alegaram que a confusão toda estava acontecendo por causa de um filhote recém-adquirido que ainda estava se acostumando com a nova casa, e pelo fato dos donos ficarem ausentes com frequência, por razões de trabalho.

O vizinho que solicitou a polícia disse que as autoridades não aceitaram os argumentos e sequer se preocuparam em entrar no apartamento e realizar algum tipo de verificação.

Algumas fotos foram registradas do local, provavelmente de alguma varanda de um apartamento vizinho, que revelava muito lixo e abandono no interior da residência. Com essas provas, os vizinhos voltaram a procurar a polícia tentando, dessa vez, um inspetor de saúde e solicitando uma inspeção sanitária. A denúncia não foi levada a sério o suficiente e essa verificação não aconteceu.

Finalmente, alguém conseguiu entrar. A proprietária do imóvel alugado deu início a uma ação para despejar esses moradores e teve êxito em 14 meses. Com isso, finalmente, alguém pode ver o que acontecia lá dentro. Acompanhada de um agente de execução de despejo, ela se assustou com um cenário bizarro.

Existiam montes de lixos pelo apartamento, o local era repleto de dejetos de animais e lá foram encontrados dois cachorros, três gatos e um coelho.

“Alguns estavam desmembrados. Chegaram a comer-se uns aos outros com a fome”, explicou a proprietária do imóvel. A polícia alegou que em casos que existem indícios muito grandes da ocorrência de maus-tratos de animais, eles fazem uma solicitação ao Ministério Público para que o órgão peça a um juiz um mandado de busca para coletar provas.

Porém, sem esse mandado, eles não possuem poderes para violar uma residência. Mas eles não deram uma explicação plausível do porque não realizaram essa solicitação mesmo com diversas ligações de vizinhos. A polícia, por fim, disse que disponibilizou sempre um grande efetivo para atender a esse tipo de chamado.

A proprietária comentou que as moradoras idosas, que foram as mais engajadas nessa denúncia, não conseguiam fazer a polícia levar os maus-tratos a sério.