Kaci Sullivan, de 30 anos, costumava ser uma mulher e há cinco anos, ela deu à luz seu primeiro filho. Recentemente, Sullivan, agora um homem, deu à luz seu segundo filho. Isso faz dele a primeira pessoa a ter filhos enquanto ainda vive com ambos os sexos.

Morador de Wisconsin, nos Estados Unidos, Sullivan começou sua transição de mulher para homem há quatro anos. Este segundo parto foi concebido com seu parceiro Steven, de 27 anos. O casal se recusou a revelar o gênero do bebê, dizendo que eles planejam criar o filho como "neutro em termos de gênero" e deixá-lo decidir sua sexualidade [VIDEO] quando for velho o suficiente.

"O momento em que o bebê nasceu e eu consegui ouvi-lo chorar é indescritível. É incrível pensar que eu fiz esse pequeno ser humano. A conexão que senti com ele durante a gravidez foi um privilégio incrível e nos últimos nove meses trouxe meu parceiro e eu tão próximos. [VIDEO] Algumas pessoas ficaram perturbadas com a ideia de eu dar à luz, mas não me engajo nem dou resposta. Se eu vejo esses comentários, me livro deles", disse Sullivan.

"Eles vão encontrar nosso espaço seguro e tentar violá-lo com suas opiniões, mas são idiotas. Eu não desperdiço meu tempo ou energia dando-lhes nada em troca. Porque eu não vejo a gravidez como inerentemente feminina, e, porque não me inscrevo para assumir papéis de gênero, não fui ameaçada pela ideia de gravidez. Não me fez sentir menos masculino”, acrescentou.

Conforme relatos, Sullivan quando tinha 4 anos foi vítima de violência sexual. Quando completou 19 anos, conheceu seu primeiro esposo e passaram a morar juntos quando tinha 20. Pouco tempo depois, Kaci entrou em uma grave depressão e se afundou no alcoolismo. Quando ficou grávida em do seu primeiro filho em 2011, esperava que a maternidade a faria se sentir mais feminino. Não aconteceu.

"Ao longo da experiência, rezei para me conectar com a feminilidade, para me identificar com o que estava acontecendo com meu corpo, mas não pude", disse ele. Kaci se assumiu como transgênero três meses após o parto. Seu casamento acabou, os amigos o abandonaram e ele foi forçado a deixar seu emprego naquele momento. Apesar disso, Sullivan sentiu-se "totalmente liberado" pela experiência.

"Eu queria que as pessoas percebessem que não estavam me perguntando sobre a identidade de gênero do bebê. Não há como ninguém pudesse saber disso. Eles estão me perguntando como são os genitais do meu bebê. Esta é uma pergunta assustadora quando nos deparamos com ela. Não precisamos estar sexualizando crianças pequenas. Ninguém, além de seu filho, deve revelar seu gênero. Nosso sexo e identidade de gênero não têm nada a ver com os papéis de gênero socialmente construídos”, disse Sullivan.