Às 15h43m (GMT) do dia 18 de janeiro, quinta-feira, o Asteroide 2018 BD passou a uma distância 10% inferior do que da Terra ao seu único satélite natural. A 35.406km do planeta, o objeto cósmico poderia ter se chocado com algum satélite artificial, causando problemas de comunicação no mundo todo, por exemplo.

A altitude média dos satélites em órbita geossíncrona é de 35.786km, ou seja, a mesma região no espaço que passou o mais recente asteroide. Em caso de choque, poderia ter causado um efeito cascata, destruindo outros satélites e, como consequência, todo sistema de comunicação na Terra.

E se caísse na Terra?

Em caso de colisão com o planeta, não haveria muitos problemas, de acordo com as probabilidades.

A maior parte da Terra é coberta por oceanos e, devido ao tamanho do asteroide (entre 2,5 e 5,5 metros de diâmetro), os riscos seriam infinitesimais.

Para ser considerado perigoso, um asteroide deve ter acima de 140 metros de comprimento e passar a menos de 7,5 milhões de quilômetros. A distância foi muito inferior à zona de risco, mas, pelas suas dimensões, a maior parte da sua massa seria destruída durante sua entrada na atmosfera e não haveria grandes riscos de colisão com o planeta.

Portanto, nesse caso, ele passou em uma área mais problemática, onde não poderia ser destruído, mas poderia colidir com sistemas de comunicação.

Ele volta esse ano

Em 18 de novembro de 2018, às 20h37m (GMT), o mesmo asteroide vai passar perto da Terra. Mas dessa vez o 2018 BD vai cruzar a uma distância de 0,33 UA (uma unidade astronômica equivale à distância entre a Terra e o Sol), ou seja, muito longe dos satélites artificiais que orbitam o planeta.

De fato, o esteroide 2018 BD foi o terceiro a passar entre a Lua e a Terra apenas este ano, a uma distância de apenas 0,10 LD. O 2018 BX (entre 3,6 e 8 metros de diâmetro) passou dia 19 de janeiro a uma altitude de 0,73 LD, às 23h (GMT) e o outro antes, às 20h22m. Em 2017 foram 53 objetos de diversos tamanhos a passar pela mesma região.

O asteroide 2018 BX, por sua vez, foi detectado no dia anterior a sua passagem, tendo sido observado primeiro pela Catalina Sky Survey, a mesma que detectou o 2018 BD sete horas antes de chegar ao seu ponto mais próximo da Terra.

Vem mais por aí

Um asteroide com 1,12 km de extensão e que passará ‘’perto’’ da Terra no próximo dia 4 de fevereiro também só foi descoberto pouco antes de sua aproximação. A Nasa detectou o 2002 AJ126 vindo a uma velocidade de aproximadamente 107.000 km/h. No entanto, sua distância será de 4,2 milhões de quilômetros, dentro da zona de perigo, mas longe dos satélites.

Ainda que não ofereça risco para o planeta durante essa passagem, segundo especialistas, o 2002 AJ126 poderia causar uma ‘’breve’’ era do gelo em caso de colisão com a Terra.

Sua ‘’visita’’ seguinte será em 2172, quando passará bem mais perto, a ‘’apenas’’ 2 LD.

Nas ainda poucas semanas de 2018, nevou no Saara; um vulcão que estava extinto entrou em erupção [VIDEO], forçando a evacuação dos aproximadamente 1.000 habitantes de toda uma ilha na Papua Nova Guiné; outro está em vias de erupção nas Filipinas, onde milhares já foram evacuados; deslizamentos de terra mataram 17 na Califórnia (EUA); e outras catástrofes [VIDEO] naturais ocorreram em diversos pontos do planeta. Vamos torcer para que o resto do ano seja mais tranquilo.