A próxima Olimpíada de Inverno a ser realizada na Coreia do Sul já ajudou a descongelar as relações com a Coreia do Norte, que formavam um único país até o final da Segunda Guerra Mundial. Mas, se for para estabelecer um ponto, foi na felicitação de Ano Novo proferida pelo líder norte-coreano, Kim Jong-un, no dia 1º de janeiro, que foi externado o primeiro sinal de possível reconciliação.

Desde que Kim falou que estaria disposto a enviar uma delegação para as Olimpíadas de Inverno, Seul propôs diálogos de alto nível e, logo em seguida, a linha vermelha (ou telefone vermelho) entre os vizinhos foi restabelecida, depois de ter sido suspensa por dois anos. O líder do Norte surpreendeu a muitos também quando expressou seu desejo de “uma solução pacífica com nossa fronteira do sul”.

Tratamento mudou para (muito) melhor

Até onde se sabe, foi registrada pela primeira vez a referência ao novo líder da Coreia do Sul como presidente e não como “marionete dos Estados Unidos”. E foi o líder supremo da Coreia do Norte que chamou sua contraparte pelo título adequado.

Logo antes da primeira reunião presencial, o negociador norte-coreano, Ri Son Gwon, foi eloquente e poético em suas falas, dizendo que “a mente de uma criança é pura, clara e sem defeito. Se pudermos reavivar esse tipo de mente na conversa intercoreana de alto nível de hoje... Se pudermos combinar nosso desejo puro e unido, as negociações irão bem”.

Transparência norte-coreana surpreende

"Hoje, há um forte interesse nacional e internacional em nossas conversas de alto nível. A expectativa é excelente, então nossa opinião é que devemos divulgar completamente as negociações para que elas possam ser entregues em tempo real para toda a população", disse Ri Son Gwon durante o encontro.

Em determinado momento, quando o negociador sul-coreano convidou a imprensa a aguardar em outro local enquanto as conversas seguiriam a portas fechadas, o negociador norte-coreano sugeriu que a imprensa continuasse presente. Após trocarem algumas palavras, ambos concordaram em conversar discretamente por algum tempo e, depois, a imprensa voltaria no meio das negociações.

Olimpíadas de Inverno pode ter Coreia unificada

O simbolismo pode se repetir a exemplo do que aconteceu em Sidney 2000, Atenas 2004 e nas Olimpíadas de Inverno em Torino. Ambas as delegações entraram juntas nas cerimônias de abertura e encerramento dos jogos. Dessa vez, esperam fazer uma “festa pela paz”, após uma reunião “séria e sincera” na qual o negociador chefe norte-coreano disse esperar resultados “preciosos”.

Depois que tentativas de intervenções externas foram alertadas por outras nações (as quais veem soluções sendo resolvidas autossuficientemente pelos dois países irmãos), a primeira reunião depois de dois anos e uma sequência de ameaças nucleares internacionais foi um clarão de esperança celebrada, inclusive, pelo Papa Francisco, que pediu à comunidade internacional para apoiar os esforços de paz na península coreana, assegurando um futuro pacífico para o povo coreano e o mundo inteiro.

Reencontro das famílias

O nome do local de negociações dentro da zona desmilitarizada entre o Norte e o Sul, a Casa da Paz, fez jus ao seu título. O Ministério da Unificação em Seul falou em reunir as famílias que foram separadas junto com o país, além de restabelecerem conversas militares bilaterais.

Pelo andar da carruagem, a Olimpíada de Inverno no próximo mês será a mais emocionante da história.

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